Júlia Vergueiro, da Nossa Arena: complexo esportivo voltado para mulheres, crianças e pessoas trans (Camila Othon/Divulgação)
Publicado em 13 de janeiro de 2026 às 14h45.
Última atualização em 14 de janeiro de 2026 às 12h22.
A Nossa Arena entra em um novo momento com a chegada da Copa do Mundo da Fifa, que será disputada de 11 de junho a 19 de julho de 2026, e com a expectativa em torno da Copa do Mundo Feminina de 2027, que acontecerá pela primeira vez no Brasil.
Localizada na Barra Funda, na zona oeste de São Paulo, a arena organiza uma programação especial de transmissões, encontros e ações voltadas aos torcedores.Em paralelo, o espaço já se movimenta para o ano seguinte, quando o futebol feminino deve atrair a atenção de públicos de diferentes países.
Entre as iniciativas previstas está a criação da Nossa Casa, uma fan house que funcionará dentro da própria arena.
A proposta, que está sendo elaborada em parceria com a agência Supernova Sports, é receber torcedores do Brasil e do exterior em um ambiente pensado para convivência, diversidade e acolhimento.
Fundada em 2021, a Nossa Arena é um complexo esportivo voltado para mulheres, crianças e pessoas trans.
No dia a dia, o espaço reúne quadras de futebol society e de areia, aulas regulares de esportes como beach tennis, projetos coletivos de futebol feminino, além de eventos, festas e confraternizações.
À frente do projeto está Júlia Vergueiro, de 36 anos.
Formada em relações internacionais, começou a carreira no mercado corporativo, onde teve suas primeiras experiências com trabalho em equipe e gestão.
Fora do ambiente profissional, passou a jogar futebol em um grupo de mulheres.
“Foi quando comecei a pensar em como unir esporte, propósito e um negócio que fizesse sentido”, afirma.
A relação de Júlia com o esporte vem da infância, influenciada pela família. Ainda assim, só conseguiu realmente treinar futebol por volta dos 16 anos, quando encontrou oportunidades que não existiam quando era criança.
Em 2011, surgiu o Pelado Real Futebol Clube, uma escola de futebol para meninas e mulheres.
O projeto cresceu, formou uma comunidade e revelou a necessidade de espaços mais adequados para a prática esportiva feminina.
A ligação entre o Pelado Real e a Nossa Arena é direta. Júlia virou sócia do Pelado Real Futebol Clube em 2013 e, alguns anos depois, deixou o banco onde trabalhava para se dedicar integralmente ao negócio.Com o crescimento das alunas e da rede formada em torno do futebol feminino, amadureceu a ideia de ter um espaço próprio.
“A experiência de circular por quadras onde nem sempre nos sentíamos bem-vindas reforçou esse desejo. A ideia de ter uma quadra própria passou de sonho distante a plano concreto”, conta.
Para viabilizar o projeto, Júlia, ao lado dos sócios Fernanda Luiz e Luis Gustavo, lançou cotas de R$ 50 mil e captou cerca de R$ 1,5 milhão.
Entre os investidores estavam pais de alunas, treinadoras e jogadoras, pessoas que já faziam parte da comunidade formada pelo Pelado Real.
A chance de tirar o projeto do papel surgiu durante a pandemia. Em 2020, depois de anos alugando quadras, apareceu a oportunidade de conhecer um terreno.
A obra começou naquele ano e a arena abriu as portas em julho de 2021, com recursos vindos exclusivamente de pessoas físicas.
A adesão foi rápida. Em três meses de funcionamento, a taxa de ocupação chegou a cerca de 70%, o que confirmou a demanda por um espaço com esse perfil.
Atualmente, a Nossa Arena tem quase 20 colaboradores e ocupa uma área de 8.500 m².
O complexo reúne três quadras de futebol society, que podem ser unificadas, e cinco quadras de areia.
Há ainda bar próprio, áreas para churrasco, telão para transmissão e estrutura para eventos corporativos e festas infantis.
As fontes de receita são variadas, explica a CEO. No futebol, escolas e coletivos alugam as quadras e oferecem aulas.
Nas quadras de areia, a própria arena conduz aulas, principalmente de beach tennis, com cerca de 120 alunas ativas.
Eventos, confraternizações, buffet, bar e festas temáticas, como Carnaval, festas juninas e celebrações do mês do orgulho LGBTQIA+, completam o portfólio.O público é majoritariamente feminino, mas homens também frequentam o espaço, desde que sigam as regras de convivência.
Nas quadras de areia, por exemplo, é exigida a presença mínima de 50% de mulheres em quadra.
Muitos pais levam as filhas para jogar, o que fortalece o vínculo familiar com a arena. “Cerca de mil pessoas circulam pelo espaço todas as semanas”, diz.
Em 2025, a Nossa Arena criou o Instituto Nossa Arena. A ONG apoia financeiramente e tecnicamente sete projetos que promovem o futebol para meninas, mulheres e pessoas trans em regiões periféricas de São Paulo.
O programa está aprovado até 2027 e busca levar a experiência de um ambiente seguro e acolhedor para além dos limites físicos da arena.Em termos financeiros, o espaço vem avançando de forma consistente. Em 2025, figurou no ranking EXAME Negócios em Expansão na categoria de empresas com faturamento entre R$ 2 milhões e R$ 5 milhões.
Com patrocínios de marcas como Nike, SporTV, Vivo e Visa, além de parcerias que viabilizam aulas gratuitas e ações sociais, a Nossa Arena segue construindo um modelo que combina esporte, negócio e comunidade.
O ranking EXAME Negócios em Expansão é uma iniciativa da EXAME e do BTG Pactual (do mesmo grupo de controle da EXAME).
O objetivo é encontrar as empresas emergentes brasileiras com as maiores taxas de crescimento de receita operacional líquida ao longo de 12 meses.
Em 2025, a pesquisa avaliou as empresas que mais conseguiram expandir receitas ao longo de 2024.
A análise considerou negócios com faturamento anual entre 2 milhões e 600 milhões de reais.
São 470 empresas que criam produtos e soluções inovadoras, conquistam mercados e empregam milhares de brasileiros.