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Após aporte, startup do Maranhão quer virar o 'Facebook Ads' dos vídeos curtos

Autoclipper, fundada em 2023, atua na distribuição de vídeos curtos ao conectar criadores, marcas e uma rede de clipadores. Empresa projeta escalar o modelo no Brasil e na América Latina

Gerson Soares, CEO, Lucas Cléopas, CPO, e Nihey Takizawa, CTO (Divulgação)

Gerson Soares, CEO, Lucas Cléopas, CPO, e Nihey Takizawa, CTO (Divulgação)

Bianca Camatta
Bianca Camatta

Freelancer em Negócios

Publicado em 9 de maio de 2026 às 16h52.

A Autoclipper, startup maranhense fundada em 2023 por Gerson Soares, acaba de captar R$ 500 mil em rodada liderada pelo fundo Stars e quer se posicionar como uma infraestrutura de distribuição de vídeos curtos, conectando criadores, marcas e uma rede crescente de clipadores.

O movimento acontece em um momento de saturação do tráfego pago e avanço da economia dos criadores de conteúdo, que já movimenta cerca de R$ 20 bilhões no Brasil.

“Enquanto o mercado ainda está focado em produzir melhor, estamos focado em aparecer mais. Nosso modelo resolve o gargalo da distribuição, que hoje é o principal desafio para quem quer crescer nas redes”, afirma Gerson Soares.

A empresa projeta ultrapassar R$ 5 milhões em faturamento até 2028, enquanto tenta consolidar um modelo baseado em volume, rede e recorrência de campanhas.

Da afiliada da Globo à criação de uma mediatech

Antes de empreender, Soares atuava na área de inovação do Grupo Mirante, afiliada da Globo no Maranhão. A ideia para startup surgiu a partir de um problema prático: como transformar horas de conteúdo linear, como telejornais, em vídeos curtos adaptados às redes sociais.

Assim, nasce a Autoclipper, em 2023, com o Grupo Mirante como primeiro cliente. No início, cortes gerados por algoritmos eram selecionados para as redes. A partir daí, a empresa evoluiu rapidamente, chegando a múltiplas versões até encontrar um novo foco.

O ponto de virada veio ao observar o comportamento dos usuários. A maioria não era formada por empresas ou grandes criadores, mas por pessoas interessadas em monetizar cortes de vídeos.

“70% a 80% das pessoas que chegavam até nós queriam monetizar com canal de cortes”, afirma.

Esse insight levou a empresa a sair de uma ferramenta de edição com inteligência artificial para um modelo mais amplo — uma mediatech, que atua como uma camada de distribuição de conteúdo.

Na prática, a Autoclipper organiza uma rede de clipadores, automatiza a criação de cortes a partir de vídeos longos e conecta esse conteúdo a múltiplos perfis nas redes sociais, permitindo que ele seja publicado em escala.

Aposta em clipadores e distribuição em rede

O modelo da Autoclipper gira em torno da criação de uma rede descentralizada de distribuição. Um único vídeo pode ser transformado em dezenas ou centenas de cortes, publicados simultaneamente por diferentes perfis.

Clipadores são usuários que recortam trechos de vídeos longos — como podcasts, entrevistas ou programas — e publicam esses cortes em suas próprias contas para gerar audiência e, em alguns casos, receita.

Hoje, a plataforma soma mais de 50 mil usuários e busca expandir esse número de forma agressiva. A meta é chegar a 500 mil clipadores cadastrados.

A proposta também responde a uma mudança no comportamento dos próprios criadores, que passaram a incentivar a redistribuição de seus conteúdos.

“Hoje os criadores veem isso quase como um Facebook Ads. Eles querem que as pessoas cliquem, porque isso aumenta reconhecimento e autoridade”, afirma Soares.

Apesar do crescimento, o maior obstáculo não está na tecnologia, mas na formação de mão de obra. A empresa identifica uma demanda maior por clipadores do que a oferta disponível, um desequilíbrio que trava a expansão.

O desafio passa por reduzir a curva de aprendizado. A meta interna é ambiciosa: permitir que uma pessoa sem experiência comece a produzir cortes em poucos dias e gere renda em semanas.

Esse esforço inclui a criação de produtos educacionais e uma jornada simplificada dentro da plataforma.

Expansão e metas até 2028

Com o aporte, o foco da empresa é tração. O capital será direcionado para melhorar o produto e ampliar a base de usuários. “2026 é o ano de consolidação do nosso modelo. A gente quer sair de uma lógica experimental para uma operação recorrente com marcas”, afirma Soares.

Além da base de usuários, a empresa quer ampliar o volume de campanhas e avançar no uso de inteligência artificial para automatizar processos.

A ambição é ir além do Brasil. A Autoclipper projeta liderar o mercado de clipadores na América Latina e operar campanhas globais.

“Queremos ser o sistema que organiza essa nova economia de atenção distribuída, conectado a criadores, marcas e audiência em escala global”, diz.

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