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Zelensky e líderes europeus negociam em Washington os termos de um acordo de paz

A visita acontece após a reunião de cúpula de sexta-feira (15) entre o presidente dos Estados Unidos e seu homólogo da Rússia, Vladimir Putin, no Alasca

Zelensky em Washington: líder ucraniano busca apoio para acordo de paz com garantias de segurança e sem ceder território (Adem Altan/AFP)

Zelensky em Washington: líder ucraniano busca apoio para acordo de paz com garantias de segurança e sem ceder território (Adem Altan/AFP)

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Agência de notícias

Publicado em 18 de agosto de 2025 às 07h49.

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O presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, e vários líderes europeus visitam Washington nesta segunda-feira (18) para discutir com Donald Trump uma possível saída para a guerra na Ucrânia, que poderia incluir garantias de segurança para Kiev, mas também concessões territoriais.

A visita acontece após a reunião de cúpula de sexta-feira (15) entre o presidente dos Estados Unidos e seu homólogo da Rússia, Vladimir Putin, no Alasca, durante a qual não foi alcançado um acordo de cessar-fogo.

Zelensky não foi convidado e, após a reunião, Trump alinhou-se com a posição defendida há muito tempo pela Rússia, que exclui a necessidade de um cessar-fogo antes de alcançar um acordo de paz definitivo.

O presidente ucraniano "pode acabar com a guerra com a Rússia quase de maneira imediata, se assim desejar, ou pode continuar lutando", publicou na noite de domingo o republicano em sua plataforma Truth Social.

Também descartou uma discussão sobre a recuperação da Crimeia, anexada pela Rússia em 2014, ou que a Ucrânia passe a integrar a Otan.

Zelensky, por sua vez, declarou em sua chegada a Washington na noite de domingo que deseja o fim da guerra com a Rússia de maneira "rápida e confiável".

Um pedido reiterado nesta segunda-feira pela China, que fez um apelo a "todas as partes" envolvidas nas negociações de paz em Washington para que alcancem "o mais rápido possível um acordo justo, duradouro, vinculante e aceitável" para todos.

Trump e Zelensky devem ter uma reunião bilateral antes que o encontro seja ampliado aos outros líderes europeus, segundo uma fonte do governo alemão.

A delegação de apoio a Zelensky em Washington é integrada pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen; o presidente da França, Emmanuel Macron; o chefe de Governo da Alemanha, Friedrich Merz; a primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni; o primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer; o presidente da Finlândia, Alexander Stubb; e o secretário-geral da Otan, Mark Rutte.

As reuniões devem terminar às 22h00 GMT (19h00 de Brasília), segundo a fonte alemã. Esta será a primeira visita de Zelensky à Casa Branca desde fevereiro, quando Trump e seu vice-presidente JD Vance o repreenderam por não demonstrar gratidão suficiente pela ajuda dos Estados Unidos contra a invasão russa, iniciada em fevereiro de 2022.

Garantias de segurança em debate

O ambiente deve ser diferente na reunião desta segunda-feira. Desde o encontro no início do ano, Trump expressou mais críticas a Putin e demonstrou sua frustração diante do bloqueio reiterado de Moscou nas negociações de paz.

Washington, no entanto, não impôs sanções adicionais a Moscou. Além disso, a grande recepção a Putin no Alasca, em sua primeira visita ao Ocidente desde a invasão da Ucrânia, foi considerada uma vitória diplomática do Kremlin.

Horas antes de viajar aos Estados Unidos, o presidente ucraniano qualificou como "histórica" a decisão americana de oferecer garantias de segurança ao seu país.

Trump mencionou uma garantia de segurança para Kiev similar à do Artigo 5 da Otan, mas fora do âmbito da Aliança Atlântica, que Moscou considera uma ameaça existencial para suas fronteiras.

O presidente francês afirmou que os líderes europeus perguntarão "até que ponto" os Estados Unidos estão dispostos a contribuir com as garantias de segurança oferecidas à Ucrânia em um possível acordo de paz.

Concessões territoriais em negociação

O enviado especial de Trump, Steve Witkoff, disse que espera alcançar um "consenso" com Zelensky e que os Estados Unidos possam "voltar a negociar com os russos para impulsionar o acordo de paz e levá-lo a bom termo".

Witkoff afirmou que, no Alasca, a Rússia fez "algumas concessões" territoriais em relação a cinco regiões ucranianas cruciais na guerra.

Uma fonte que acompanhou as conversas telefônicas de sábado entre o presidente americano e os líderes europeus declarou à AFP que o presidente russo está "exigindo, na prática, que a Ucrânia abandone o Donbass" e, portanto, ceda completamente este território, que inclui as regiões de Donetsk e Luhansk no leste da Ucrânia.

A Rússia também propõe congelar a frente de batalha nas regiões de Kherson e Zaporizhzhia (sul).

"Há um debate importante a respeito de Donetsk e o que aconteceria lá (...). Isto será detalhado especificamente na segunda-feira", afirmou Witkoff, sem revelar mais detalhes.

Poucos meses após o início da invasão ao território da Ucrânia, a Rússia proclamou a anexação das quatro regiões ucranianas, apesar de suas tropas não controlarem integralmente nenhuma delas.

Preocupação europeia com pressão sobre Zelensky

Na Europa, existe a preocupação de que Washington possa pressionar a Ucrânia a aceitar as condições estabelecidas pela Rússia.

Zelensky rejeitou concessões territoriais, mas declarou estar disposto a discutir a questão no contexto de uma reunião de cúpula trilateral com Trump e Putin.

O presidente americano citou a possibilidade do encontro, mas a Rússia tenha minimizado a importância.

Na frente de batalha, as forças russas avançam de forma gradual, mas constante, em particular na região de Donetsk.

Nesta segunda-feira, poucas horas antes da reunião, um ataque russo com drones contra a cidade ucraniana de Kharkiv deixou pelo menos cinco mortos, incluindo duas crianças, e 18 feridos.

A Ucrânia e seus aliados acusam Moscou de tentar ganhar tempo para obter benefícios adicionais.

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