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Venezuela anuncia que fará "revisão profunda" de relações com EUA

O ministro de Relações Exteriores do país convocou os venezuelanos e seus aliados no mundo a definir uma posição em torno da ameaça dos EUA

Samuel Moncada: as relações diplomáticas entre a Venezuela e os Estados Unidos se mantêm em ponto morto desde o final de 2008 (Marco Bello/Reuters)

Samuel Moncada: as relações diplomáticas entre a Venezuela e os Estados Unidos se mantêm em ponto morto desde o final de 2008 (Marco Bello/Reuters)

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EFE

Publicado em 18 de julho de 2017 às 14h40.

Caracas - O governo do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, anunciou nesta terça-feira o início de um processo de revisão "profunda" das suas relações com os Estados Unidos, depois que a Casa Branca ameaçou o país com "fortes e rápidas" sanções econômicas no caso de concretização da Assembleia Nacional Constituinte.

"Aviso, desde já, por instrução do presidente da República, que nós faremos uma revisão profunda com o governo dos EUA, porque nós não aceitamos humilhações de ninguém", disse o ministro de Relações Exteriores, Samuel Moncada, em uma declaração televisionada.

Moncada convocou os venezuelanos e seus aliados no mundo a definir uma posição em torno da ameaça dos EUA, feita ontem após a divulgação da informação que 7,5 milhões de venezuelanos, segundo dados da oposição, rejeitaram a Constituinte impulsionada por Maduro em uma consulta organizada à revelia do governo.

No mesmo dia os oficialistas fizeram uma simulação, coordenada com o Poder Eleitoral, para ensaiar a votação dos constituintes, que poderão redigir uma nova Constituição.

"Ao nosso povo, aos nossos chefes militares, nacionalistas, revolucionários, e patriotas, aos nossos embaixadores no mundo todo, a todos os meios de comunicação, aos nossos amigos no mundo, este é um momento de definição", destacou.

Maduro tinha assegurado, dias antes que se soubesse da intenção do governo de Donald Trump, que a Venezuela "é um país livre e soberano e não se deixa ameaçar nem intimidar por nenhum império deste mundo".

As relações diplomáticas entre a Venezuela e os Estados Unidos se mantêm em ponto morto desde o final de 2008, quando o então presidente Hugo Chávez expulsou o embaixador norte-americano Patrick Duddy por supostamente estar envolvido em planos de magnicídio.

Desde então, e apesar de tentativas de ambos governos para retomar seus laços diplomáticos, a relação de ambos países se mantém em níveis mínimos.

A oposição venezuelana anunciou ontem que buscará um governo de transição e convocou uma greve geral para esta quinta-feira para elevar a pressão contra a Constituinte promovida pelo Executivo.

A Venezuela é palco há mais de três meses de uma onda de protestos, principalmente contra o governo, que deixou até o momento mais de 90 mortos.

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