Narges Mohammadi, premiada com o Nobel da Paz, cumpre pena no Irã (AFP)
Repórter
Publicado em 13 de fevereiro de 2026 às 06h01.
Narges Mohammadi, que ganhou o Nobel da Paz presa em 2023, está sendo sujeita a “maus-tratos que colocam sua vida em risco” por autoridades iranianas em sua detenção, segundo denúncias feitas ao comitê do prêmio. O diretor do comitê, Jørgen Watne Frydnes, descreve o tratamento à CNN como “horrível”. A laureada está presa desde novembro de 2021.
De acordo com os depoimentos, que vieram de fontes de dentro do Irã na quarta-feira, 11, Mohammadi esteve sujeita a abuso físico severo, como espancamentos com bastões de madeira e ser arrastada pelo chão por seu cabelo, resultando em feridas abertas em sua cabeça e couro cabeludo. Além disso, as fontes reportam que ela teria sido repetidamente chutada na área da pélvis, causando dor intensa e a impedindo de sentar-se e se deitar confortavelmente.
“Os relatos são, de fato, horríveis”, disse Frydnes à CNN. “Isso constitui tratamento cruel e desumano — uma violação flagrante do direito internacional e dos direitos humanos”, acrescentando que técnicas intensas de intimidação e interrogação também permeiam sua reclusão, na qual, além de tudo isso, teria sido negado acesso a tratamento médico, apesar de Mohammadi ter histórico de problemas de saúde.
Seu histórico inclui ataques cardíacos, intensas dores no peito, pressão alta, problemas com discos da coluna e outras doenças, de acordo com sua família.
“Temos plena preocupação de que ela não consiga viver mais tempo”, disse Frydnes, citando a gravidade de seu estado de saúde e o aumento relatado de maus-tratos nas últimas semanas. Ele diz estar fazendo tudo que consegue considerando sua posição, apelando diretamente às autoridades iranianas para que respeitem os direitos humanos e as leis internacionais. Além disso, pediu à comunidade internacional para fazer o mesmo.
Nesse sábado, 7, Mohammadi foi condenada a 7 anos adicionais de prisão, de acordo com seu advogado. A nova sentença foi imposta como punição a uma greve de fome que Mohammadi fez para protestar, além da repressão violenta a manifestantes no Irã, sua “detenção ilegal, condições carcerárias terríveis e a negação de contato com sua família e advogados”, segundo sua fundação, o Centro de Defensores dos Direitos Humanos (DHRC, na sigla em inglês), que citou relatos indicando que seu estado físico era “profundamente alarmante”. A laureada esteve na greve de fome do começo desse mês até o último domingo, 8.
“Ela foi condenada a seis anos de prisão por ‘aglomeração para conspiração’, a um ano e meio por propaganda e a uma proibição de viajar por dois anos”, escreveu o advogado de Mohammadi, Mostafa Nili, no X, antigo Twitter. Ainda por cima, a laureada recebeu ainda mais dois anos de exílio interno na cidade de Khosf, a cerca de 740 quilômetros a sudeste de Teerã, a capital do Irã, acrescentou o advogado.