Um Dia da Educação sem aulas para a maioria dos estudantes

Quarentena prejudica 1,3 bilhão de alunos no mundo. Mas, aos poucos, alguns países estão retomando as atividades

O Brasil e vários países do mundo comemoram hoje (28) o Dia da Educação. A data lembra o dia em que 164 nações se reuniram no Fórum Mundial da Educação de Dacar, no Senegal, em 2000, e traçaram metas para melhorar a educação no mundo. Desde então, houve avanços notáveis em vários países, mas ainda há muito que fazer. Cerca de 258 milhões de crianças e adolescentes, o correspondente a um em cada sete jovens no mundo, sequer frequentam uma escola, segundo estimativa da Unesco, órgão das Nações Unidas responsável por promover a educação, a ciência e a cultura.

Com a pandemia do novo coronavírus, os jovens matriculados em uma escola também estão tendo problemas para manter suas atividades. Mas um levantamento da Unesco aponta que, aos poucos, os alunos estão voltando às salas de aula. Ontem, o fechamento de escolas por causa da covid-19 prejudicava 1,3 bilhão de alunos do pré-primário ao curso superior em 186 países, ou 74% do total de estudantes matriculados. Há uma semana, eram 1,6 bilhão de alunos sem aulas, ou 90% do total.

A Dinamarca foi o primeiro país europeu a reabrir as creches e escolas em todo o país, no dia 15 de abril, depois de um mês de paralisação. O país retomou as aulas inicialmente com alunos mais novos, de até 12 anos, por considerar que a interação com outras crianças é mais importante nessa faixa etária. As escolas estão adotando várias medidas de segurança, como desinfetar as instalações e fazer os alunos lavarem as mãos com frequência, manter uma distância mínima nas atividades e, sempre que possível, dar as aulas em área aberta.

Outros países europeus planejam reabrir suas escolas nos próximos dias. A Alemanha vai reiniciar as aulas em 4 de maio, começando pelos alunos mais velhos. Em alguns estados, alunos do ensino médio que estão se preparando para prestar o vestibular já voltaram às aulas. A França vai reabrir as creches e escolas do ensino fundamental e médio progressivamente a partir de 11 de maio.

No Brasil, segundo a Unesco, quase 53 milhões de alunos estão sendo afetados pela quarentena. Assim como em outros países, as escolas mais bem aparelhadas estão oferecendo aulas online, mas a falta de recursos tecnológicos dificulta a adoção em larga escala do ensino a distância na rede pública. No Brasil, 30% das pessoas ainda não têm conexão com a internet em casa. Entre os que acessam a rede, 97% utilizam o celular, que, muitas vezes, é defasado e não permite baixar programas de uma plataforma de ensino. A exclusão digital tende a aumentar a distância entre o desempenho dos alunos das escolas públicas e privadas.

O ministro da Educação, Abraham Weintraub, vem defendendo a reabertura de escolas nas cidades com menores índices de casos de covid-19. No estado de São Paulo, o governador João Doria anunciou que as aulas deverão ser retomadas de forma escalonada, começando por crianças da educação infantil. A ideia é adotar um rodízio de alunos para garantir uma distância mínima entre eles. O retorno está previsto para julho.

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