Repórter
Publicado em 6 de janeiro de 2026 às 21h02.
Última atualização em 6 de janeiro de 2026 às 21h20.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou na noite desta terça-feira, 6 de janeiro, que as autoridades interinas da Venezuela entregarão aos Estados Unidos entre 30 e 50 milhões de barris de petróleo.
Em uma publicação na rede social Truth Social, o republicano disse que o petróleo será vendido a preço de mercado e que o "dinheiro será controlado" por ele mesmo para garantir os interesses econômicos dos Estados Unidos.
"Tenho o prazer de anunciar que as autoridades interinas da Venezuela entregarão entre 30 e 50 milhões de barris de petróleo de alta qualidade, sujeito a sanções, aos Estados Unidos da América. Este petróleo será vendido a preço de mercado, e o dinheiro será controlado por mim, como Presidente dos Estados Unidos da América, para garantir que seja usado em benefício do povo da Venezuela e dos Estados Unidos! Solicitei ao Secretário de Energia, Chris Wright, que execute este plano imediatamente", escreveu o presidente norte-americano.
E acrescentou: "O petróleo será transportado por navios-tanque e levado diretamente aos portos de descarga nos Estados Unidos. Agradeço a sua atenção a este assunto!".
O anúncio foi feito três dias após as forças americanas terem capturado o líder da Venezuela, Nicolás Maduro, e sua esposa, Cilia Flores, em Caracas, e os terem levado para Nova York, onde são acusados em um processo federal por envolvimento com o narcotráfico.
Autoridades da Venezuela e dos Estados Unidos estão mantendo conversas sobre a possibilidade de envio de petróleo bruto venezuelano para o mercado norte-americano desde o início da operação militar dos EUA no país, segundo informações da agência Reuters.
Caso as negociações avancem, os carregamentos parados seriam direcionados às refinarias dos EUA, alterando a rota que anteriormente tinha a China como principal destino.
O volume de petróleo venezuelano acumulado desde dezembro inclui milhões de barris armazenados em navios e tanques. O bloqueio à exportação, ainda vigente, foi imposto pelo governo de Donald Trump como parte de uma série de sanções ao país sul-americano.
No sábado, após a prisão de Nicolás Maduro, Donald Trump declarou em coletiva de imprensa que pretende facilitar entrada de grandes empresas dos Estados Unidos no setor de petróleo da Venezuela.
O presidente afirmou que companhias americanas investirão bilhões de dólares para restaurar a infraestrutura petrolífera do país sul-americano e, com isso, gerar receita.
As refinarias americanas localizadas na Costa do Golfo têm capacidade para processar o petróleo pesado venezuelano. Antes da imposição das sanções por parte de Washington, os Estados Unidos importavam cerca de 500 mil barris por dia.
Apesar de possuir as maiores reservas de petróleo do mundo, a Venezuela atualmente registra uma produção limitada — cerca de 1 milhão de barris por dia — impactada por sanções internacionais e por problemas estruturais no setor.
Os Estados Unidos invadiram a Venezuela na madrugada deste sábado, 3, e capturaram o presidente Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, em uma operação militar de grande escala que incluiu bombardeios em Caracas e em regiões estratégicas do país.
A ação, confirmada pelo presidente americano Donald Trump, levou o líder chavista para uma prisão nos Estados Unidos sob acusações de narcoterrorismo e abriu uma crise sem precedentes recentes na América do Sul, com impactos diretos sobre a soberania venezuelana, o equilíbrio regional, o mercado global de petróleo e a arquitetura de segurança internacional.
Os Estados Unidos afirmam ter realizado um ataque em larga escala contra a Venezuela, com bombardeios em Caracas e em estados estratégicos como Miranda, La Guaira e Aragua. Segundo Washington, a ofensiva derrubou sistemas de energia e alvos militares antes da captura de Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores.
Maduro foi capturando antes de entrar em um bunker, retirado do país e levado para os Estados Unidos, onde está preso no Metropolitan Detention Center, no Brooklyn. Ele é acusado de narcoterrorismo e tráfico internacional de cocaína e deverá responder a processos em tribunais de Nova York. Autoridades venezuelanas afirmam que integrantes da equipe de segurança presidencial foram mortos durante a operação.
A ação foi conduzida, segundo a imprensa americana, por militares da Delta Force, unidade de elite do Exército dos EUA.
Após a operação, Trump apresentou o que chamou de “Doutrina Donroe”, em referência direta à Doutrina Monroe, ao afirmar que o hemisfério ocidental estaria sob responsabilidade de Washington. O presidente dos EUA disse que a ofensiva representa uma nova estratégia de intervenção regional e afirmou que novas ações militares não estão descartadas.
Trump declarou que as Forças Armadas americanas permanecem prontas para um segundo ataque caso o novo comando venezuelano “não se comporte”. O presidente também fez advertências diretas a Colômbia e México, sugerindo que ambos enfrentam problemas ligados ao narcotráfico e poderiam ser alvo de iniciativas semelhantes.
(Com informações da AFP)