Os presidentes Donald Trump e Lula, durante reunião na Malásia, em 26 de outubro (Ricardo Stuckert/PR)
Repórter
Publicado em 20 de janeiro de 2026 às 20h08.
Última atualização em 20 de janeiro de 2026 às 20h26.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, confirmou nesta terça-feira, 20, que convidou o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, para integrar o seu chamado Conselho de Paz.
A iniciativa, descrita por Trump como uma espécie de “ONU paralela”, faz parte de um projeto diplomático do republicano voltado à mediação de conflitos internacionais fora das estruturas tradicionais.
Em coletiva de imprensa na Casa Branca, o presidente americano afirmou à repórter da TV Globo Raquel Krähenbühl que Lula havia convidado Lula para integrar o conselho. O republicano também adiantou que espera do líder brasileiro uma grande atuação dentro do grupo.
"Um grande papel, eu gosto dele", declarou Donald Trump.
Desde a última semana, Trump convidou diversos líderes internacionais para compor o “Conselho de Paz para Gaza”, como parte de seu plano de 20 pontos que visa a reconstrução do enclave palestino e a promoção de uma paz duradoura na região.
Trump planeja realizar a cerimônia de assinatura do acordo em Davos, na quinta-feira, apesar de haver resistência por parte de alguns convidados, que pedem ajustes nos termos atuais da proposta, segundo a Bloomberg.
Segundo fontes próximas ao processo e publicações em redes sociais, a lista de países convidados inclui representações da Europa, Oriente Médio, Ásia, Américas e Oceania. Nem todos confirmaram o recebimento do convite, e a relação não é considerada definitiva.
Na coletiva desta terça-feira, Donald Trump também confirmou não participará da reunião do G7 — grupo que reúne as economias mais industrializadas do mundo — em Paris, nesta quinta-feira. Apesar disso, ele afirmou que tem um bom relacionamento com os governos da França e do Reino Unido.
A declaração ocorre em meio a tensões com as potências europeias, após ameaça de Trump de anexar a Groenlândia.
A França recusou integrar o Conselho de Paz nas condições atuais propostas pelos Estados Unidos. A decisão do presidente Emmanuel Macron baseia-se em preocupações com os princípios do multilateralismo e com a estrutura institucional das Nações Unidas.
O presidente francês considera que o modelo sugerido por Washington ultrapassa a situação em Gaza e ameaça diretrizes centrais da ONU. Apesar disso, reafirma seu compromisso com um cessar-fogo e com a construção de um horizonte político crível tanto para palestinos quanto para israelenses.
Segundo fontes próximas ao governo de Macron à agência EFE, os Estados Unidos apresentaram à França um convite formal para integrar o Conselho de Paz e avaliam o marco jurídico do grupo em coordenação com outros parceiros. No entanto, Paris rejeita o formato atual por considerá-lo incompatível com a Carta da ONU e com a Resolução 2803, aprovada em 17 de novembro de 2025, que trata do fortalecimento da entrega de ajuda humanitária à Faixa de Gaza.
Essa resolução defende um caminho para a definição do estatuto de um Estado palestino, promovendo o diálogo entre israelenses e palestinos rumo a uma convivência pacífica. O Palácio do Eliseu reiterou que continua “totalmente comprometido com um cessar-fogo em Gaza e um horizonte político confiável” e manterá a defesa de “um multilateralismo eficaz”.
(Com informações da agência EFE)