Redação Exame
Publicado em 11 de janeiro de 2026 às 12h28.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, está avaliando novas ações militares contra o Irã em meio a crescentes manifestações no país persa que já deixaram centenas de mortos, segundo funcionários americanos ouvidos por diversos veículos da imprensa dos EUA.
De acordo com relatos citados por Axios, The New York Times, The Wall Street Journal e The Washington Post, Trump discutiu múltiplas opções para um possível ataque ao Irã, incluindo bombardeios, embora ainda não tenha tomado uma decisão definitiva.
Um dos funcionários afirmou ao Axios:
"Todas as opções estão sobre a mesa para o presidente Trump, mas nenhuma decisão foi tomada".
Outra fonte disse ao mesmo portal que as conversas incluem ataques militares, mas que a maior parte das alternativas apresentadas até agora "não são cinéticas" — expressão usada para descrever ações que empregam força física direta, sem explosão.
Fontes citadas pelo The Washington Post informaram que as discussões devem continuar nesta semana, com o Pentágono explorando tanto opções letais quanto não letais, incluindo ataques cibernéticos para dificultar que o governo iraniano restrinja o acesso dos manifestantes à internet, prática que tem sido registrada durante os protestos.
Apesar de ainda não ter tomado uma decisão, o The New York Times relatou que Trump "está considerando seriamente os ataques", que poderiam atingir alvos não militares em Teerã, capital do Irã.
O possível envolvimento militar americano surge horas depois de Trump ter publicado na sua rede social Truth Social uma oferta de “ajuda” ao Irã no contexto dos protestos, que já duram duas semanas e se intensificaram como resposta à situação econômica do país.
A organização civil Iran Human Rights (IHRNGO), com sede em Oslo (Noruega), estima que ao menos 192 pessoas morreram desde o dia 28 de dezembro em confrontos e repressão.
Novos ataques ao Irã se somariam à chamada “Operação Martelo da Meia-Noite”, lançada pelos Estados Unidos contra três instalações nucleares iranianas em junho de 2025.
Naquele episódio, a ação americana foi interpretada como resposta a ataques iranianos contra Israel, que havia bombardeado os mesmos locais e matado líderes da Guarda Revolucionária.
Imagem de satélite divulgada pela Maxar Technologies e datada de 1º de julho de 2025 mostra uma visão geral do complexo da Usina de Enriquecimento de Combustível de Fordow, a cerca de 30 quilômetros ao norte de Qom, no centro do Irã (Maxar Technologies/AFP)
Do lado iraniano, o presidente do Parlamento, Mohammad Baqer Qalibaf, advertiu que, em caso de um ataque dos EUA, "tanto os territórios ocupados (Israel) quanto todos os centros militares, bases e navios" dos EUA e de Israel na região "serão alvos legítimos".