Trump ameaça 'barrar' bilionários de Wall Street se continuarem financiando campanha de Haley

Declaração ocorre após o ex-presidente sair vitorioso das primárias de New Hampshire, derrotando a ex-governadora da Carolina do Sul com uma diferença menos favorável do que a esperada

Agora, a ameaça de Trump pode complicar ainda mais o apoio de alguns bilionários a Haley (Timothy Clary/AFP)
Agora, a ameaça de Trump pode complicar ainda mais o apoio de alguns bilionários a Haley (Timothy Clary/AFP)
Agência o Globo
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Publicado em 26 de janeiro de 2024 às 07h48.

Última atualização em 26 de janeiro de 2024 às 09h39.

O ex-presidente Donald Trump, principal candidato para a nomeação do Partido Republicano na corrida para a Casa Branca, ameaçou os doadores de campanha que serão "barrados" do seu "campo MAGA" (sigla em inglês de seu slogan "Faça a América grandiosa de novo") caso continuem contribuindo para a candidatura de sua adversária, Nikki Haley. A declaração ocorre poucos dias após Trump sair vitorioso das primárias de New Hampshire, derrotando a ex-governadora da Carolina do Sul com uma diferença menos favorável do que a esperada, mas suficiente para consolidá-lo como favorito entre os republicanos.

"Qualquer pessoa que faça uma 'contribuição' para a 'cabeça-oca', a partir deste momento em diante, será permanentemente barrada do campo MAGA," escreveu Trump em uma postagem em sua rede social Truth Social, referindo-se a Haley de forma pejorativa. "Não os queremos e não os aceitaremos, porque colocamos a América em primeiro lugar e SEMPRE VAMOS COLOCAR!", finalizou.

O que diz Nikki Haley?

Haley, por sua vez, respondeu postando um link na rede social X (antigo Twitter) para sua página de doações com a frase "Bem, nesse caso... doe aqui. Vamos lá!". Ela também mencionou que sua campanha arrecadou US$ 1 milhão nas 24 horas após a primária de New Hampshire.

O bom desempenho da candidata em um estado mais moderado do que Iowa — onde ocorreu o primeiro embate republicano e no qual Trump saiu vitorioso, deixando para trás Haley (em terceiro) e Ron DeSantis (que abandonou a corrida após ter ficado em segundo lugar) com margem ampla — era crucial para que ela se consolidasse como opção viável para barrar o ex-presidente.

Agora, a ameaça de Trump pode complicar ainda mais o apoio de alguns bilionários a Haley. Segundo uma reportagem do Financial Times, o cofundador da rede varejista americana Home Depot, Ken Langone, estava aguardando o desempenho de Haley em New Hampshire antes de decidir doar para a campanha. Já o bilionário cofundador do LinkedIn, Reid Hoffman — que, de acordo com o jornal, já havia doado uma quantia de seis dígitos para a campanha da candidata —, anunciou que suspendeu seu financiamento.

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Dificuldades no caminho de Trump

Trump, por sua vez, avança a passos largos em direção à indicação presidencial republicana, mas parece ter dificuldades para atrair votos independentes e moderados, algo essencial se quiser um segundo mandato na Casa Branca.

Suas vitórias nas primárias em Iowa e New Hampshire impressionam, mas ele terá de conquistar parte do eleitorado se quiser vencer o presidente democrata Joe Biden, seu provável adversário nas eleições de novembro.

Quase metade dos eleitores de New Hampshire estava registrada como independente, um grupo crucial nos chamados "estados-pêndulo", onde os eleitores mudam o voto dependendo dos candidatos e das eleições. Esses estados são decisivos em eleições acirradas, e em New Hampshire, dois em cada três independentes votaram na adversária de Trump.

Além disso, pesquisas de boca de urna revelaram que um terço dos eleitores das primárias republicanas em New Hampshire afirmaram que não apoiariam Trump em novembro.

Estatísticas semelhantes ocorreram nas primárias de Iowa na semana passada. Trump venceu facilmente, mas pesquisas do Des Moines Register mostraram que quase metade dos apoiadores de Haley escolheriam Biden em vez de Trump.

A dificuldade de Trump em atrair os mais moderados já custou várias derrotas aos republicanos nos últimos anos. O partido não apenas perdeu a reeleição para Biden em 2020, mas também a maioria nas duas casas do Congresso durante seu único mandato e sofreu reveses nas últimas eleições de meio de mandato em 2022.

Essa não é sua única desvantagem. Ele chegará às eleições enfrentando 91 acusações judiciais, e espera-se que pelo menos um de seus quatro julgamentos comece antes das eleições de novembro. Sendo assim, não se descarta que Trump se candidate às eleições após ser condenado, talvez até mesmo com pena de prisão.

Nas pesquisas de boca de urna realizadas nas duas primeiras eleições primárias, os eleitores foram questionados se considerariam Trump apto para a Presidência em caso de condenação por crime. Um pouco mais de um terço dos eleitores de Iowa e quase metade dos de New Hampshire disseram que não.

(Com AFP.)

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