Mundo

Tragédia no Congo: desabamento em mina de coltan deixa ao menos 200 mortos

Acidente em Rubaya atinge região que concentra até 30% da produção global de mineral essencial para celulares

Publicado em 31 de janeiro de 2026 às 14h15.

Tudo sobreMinérios
Saiba mais

Uma mina de coltan desabou na cidade de Rubaya, no leste da República Democrática do Congo, e causou a morte de ao menos 200 pessoas nesta sexta-feira, 30.

O acidente ocorreu na quarta-feira, 28, em uma zona de mineração controlada pelo grupo armado M23, após fortes chuvas atingirem a região de Kivu do Norte. A tragédia expõe a precariedade da extração de minerais estratégicos para a indústria de eletrônicos global em áreas de conflito.

Rubaya possui importância crítica para o mercado de tecnologia, pois responde por uma fatia entre 15% e 30% da produção mundial de coltan. Do mineral, extrai-se o tântalo, componente indispensável na fabricação de capacitores para smartphones e computadores.

A área está sob domínio da milícia antigovernamental desde abril de 2024, que estabeleceu no local uma estrutura administrativa paralela para gerir a exploração mineral.

Equipes de busca e garimpeiros locais tentam encontrar sobreviventes entre os escombros e a lama com ferramentas rudimentares. Segundo relatos de testemunhas, o primeiro deslizamento aconteceu na tarde de quarta-feira, 28, seguido por um novo desprendimento de terra na manhã de quinta-feira, 29. Além das centenas de mortos, as autoridades locais confirmaram que 20 feridos recebem atendimento médico, enquanto muitos corpos seguem soterrados nos poços da mina.

Geopolítica dos minérios

A região leste do país detém até 80% das reservas globais de coltan, o que alimenta o interesse de grupos armados e prolonga conflitos que duram três décadas. O grupo M23 criou um sistema de licenciamento próprio para mineradores e operadores econômicos na tentativa de oficializar a exploração. Especialistas da ONU apontam que essa gestão financia atividades bélicas e ignora normas básicas de segurança do trabalho.

Risco no garimpo

A extração artesanal em Rubaya acontece em encostas instáveis, onde homens e mulheres trabalham em condições extremas por rendas irrisórias. A falta de infraestrutura e o relevo acidentado tornam o local uma armadilha durante o período de chuvas intensas. Mesmo após o desastre, a atividade de mineração continua no depósito, evidenciando a dependência econômica da população local em relação aos minérios de sangue.

(Com agência O Globo)

Acompanhe tudo sobre:República Democrática do CongoMinérios

Mais de Mundo

Musk diz que trocou e-mails com Epstein, mas nunca foi às festas do magnata

Risco de pandemia pelo vírus Nipah é baixo, avalia Ministério da Saúde

Irã diz estar 'com o dedo no gatilho' após movimentação militar dos EUA

'Shutdown' nos EUA deve durar poucos dias após impasse sobre imigração