Rei Charles: rei da Inglaterra se pronunciou em rara carta assinada sobre prisão do irmão por envolvimento no Caso Epstein. e (Max Mumby/Getty Images)
Repórter
Publicado em 19 de fevereiro de 2026 às 10h43.
O rei Charles III afirmou nesta quinta-feira, 19, que “a lei deve seguir seu curso” após a prisão do ex-príncipe Andrew suspeito de má conduta em cargo público quando ele atuava como enviado comercial do Reino Unido.
Em uma rara declaração assinada pessoalmente, o monarca disse que o caso deverá ser tratado por meio do devido processo legal. “O que se segue agora é o devido processo legal, justo e adequado, pelo qual esta questão será investigada da maneira apropriada e pelas autoridades competentes”, afirmou Charles.
O rei acrescentou que a família real dará apoio às autoridades. “Nisso, como já disse antes, eles têm nosso total e irrestrito apoio e cooperação”, disse.
“Deixe-me ser claro: a lei deve seguir seu curso”, afirmou o rei.
O ex-príncipe Andrew Mountbatten-Windsor foi preso na manhã desta quarta-feira, 19, no Reino Unido, sob suspeita de má conduta em cargo público, segundo a BBC.
A detenção foi realizada pela Thames Valley Police, que disse ter aberto uma investigação formal após “avaliação aprofundada” do caso.
Segundo a polícia, um homem de cerca de 60 anos, morador do condado de Norfolk, foi detido e permanece sob custódia. As autoridades realizam buscas em endereços nos condados de Berkshire e Norfolk. Embora a corporação não tenha divulgado oficialmente o nome do detido, a BBC afirma ser tratar de Andrew Mountbatten-Windsor, que completa 66 anos nesta quinta-feira.
Em novembro de 2025, após divulgações do caso Epstein, ele teve seu título honorário de vice-almirante retirado pela Coroa britânica.
De acordo com a BBC, a apuração se concentra em suspeitas de má conduta em cargo público relacionadas ao período em que Andrew atuou como enviado comercial do Reino Unido. Os investigadores analisam a suspeita de que documentos oficiais tenham sido repassados a Jeffrey Epstein.
O canal também afirmou que a polícia apura denúncias de que uma segunda mulher teria sido enviada ao Reino Unido por Epstein para um encontro sexual com Andrew.
Entretanto, segundo a emissora, a prisão realizada nesta quarta-feira está relacionada especificamente à suspeita de má conduta em cargo público.
A Thames Valley Police disse que o suspeito foi preso após a abertura formal da investigação e que buscas estão em andamento em propriedades em Berkshire e Norfolk. A corporação disse que não divulgará o nome do detido, de acordo com as diretrizes nacionais.
Imagens divulgadas pela imprensa britânica mostraram a presença de policiais próximos à propriedade de Sandringham, em Norfolk, onde Andrew reside desde que deixou sua casa em Windsor.
Segundo análise da BBC, é difícil encontrar precedentes para a prisão de Andrew, irmão do rei do Reino Unido. A emissora classificou o episódio como um desdobramento extraordinário em um caso que já vinha sendo acompanhado de perto pela opinião pública.
No início de fevereiro, o rei Charles afirmou estar disposto a colaborar com as investigações. “O rei deixou clara, em palavras e por meio de ações sem precedentes, sua profunda preocupação com as alegações que continuam a surgir sobre a conduta do Sr. Mountbatten-Windsor”, diz a nota divulgada pelo Palácio. “Se formos contatados pela Polícia do Vale do Tâmisa, estaremos prontos para apoiá-los, como seria de se esperar.”
O ex-príncipe nega todas as acusações relacionadas a seus vínculos com Epstein. Até o momento, não há detalhes sobre eventuais acusações formais ou sobre quando ele poderá prestar depoimento à Justiça.
*Com informações da AFP