Rússia responde às pressões e fortalece controle na Crimeia

Rússia respondeu às pressões do Ocidente, que busca uma saída ao conflito em torno da península ucraniana da Crimeia

Kiev - A Rússia respondeu nesta segunda-feira às pressões do Ocidente, que busca uma saída ao conflito em torno da península ucraniana da Crimeia, controlada por comandos armados pró-russos.

A crise, uma das mais graves entre Moscou e o Ocidente desde o fim da Guerra Fria, provocava queda nas bolsas (a de Moscou fechou em baixa de quase 11%), assim como desvalorização do rublo e alta no preço do petróleo.

A tensão se estendia a outras regiões da Ucrânia. Em Donetsk (leste), reduto do presidente destituído Viktor Yanukovytch, 300 manifestantes pró-russos tomaram nesta segunda-feira de assalto a administração regional.

Retomando o tom das reivindicações ocidentais, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, pediu a garantia "da independência, da unidade e da integridade territorial da Ucrânia" e apelou para que a Rússia "se abstenha de todo ato que possa conduzir a uma nova escalada".

As autoridades ucranianas denunciaram o fato de nas últimas 24 horas dez helicópteros de combate e oito aviões de transporte russos terem pousado na Crimeia, sem que elas tenham sido avisadas 72 horas antes, como preveem os acordos entre os dois países.

O ministério ucraniano da Defesa havia afirmado anteriormente que a Rússia há havia aumentado em 6.000 soldados sua presença militar na Crimeia, uma península russófona do sul da Ucrânia que abriga a frota russa do Mar Negro.

Moscou tem agora "um controle operacional pleno" sobre a Crimeia, afirmou no domingo em Washington um funcionário americano de alto escalão, que pediu o anonimato.

Nesta segunda-feira, todas as bases militares ucranianas estavam cercadas por soldados não identificados que atuam a serviço das autoridades pró-russas da Crimeia, segundo o ministro ucraniano da Defesa.

Durante uma visita a Kiev, onde se reuniu com as novas autoridades, o ministro britânico das Relações Exteriores, William Hague, advertiu a Rússia que seus atos na Ucrânia terão um preço em nível econômico e diplomático.

Lavrov contra-ataca

De Genebra, o ministro russo das Relações Exteriores, Serguei Lavrov, contra-atacou denunciando as ameaças de sanções e boicotes proferidas pelas potências ocidentais.

O chanceler justificou os movimentos da Rússia na Ucrânia alegando que os ultranacionalistas deste país ameaçam "as vidas e os interesses regionais dos russos e das populações de língua russa".

Seu ministério respondeu diretamente ao secretário americano de Estado, John Kerry, taxando suas ameaças de "inadmissíveis".

Além disso, a chancelaria russa ressaltou o apoio de Pequim na questão, destacando "a ampla concordância de opiniões da Rússia e da China sobre a situação neste país (Ucrânia) e ao redor".


Kerry anunciou que viajará na terça-feira a Kiev para manifestar "o apoio decidido dos Estados Unidos à alta soberania, à independência e à integridade territorial da Ucrânia". No sábado havia denunciado "a invasão e a ocupação" deste país por parte da Rússia.

Os Estados Unidos também pediram o envio imediato à Ucrânia de observadores da Organização para a Cooperação e a Segurança na Europa (OSCE), para tentar "promover o respeito da integridade territorial" desta ex-república soviética, independente desde 1991.

Na terça-feira também chegará à Ucrânia uma equipe do Fundo Monetário Internacional (FMI), a quem as novas autoridades de Kiev pediram ajuda para evitar a quebra, já que o país atravessa uma profunda crise econômica.

Já a chanceler alemã, Angela Merkel, quis se mostrar conciliadora dizendo através de seu porta-voz que não é muito tarde para uma solução política para a crise na Ucrânia, e que "não há opção militar".

Em uma conversa com ela no domingo, o presidente russo, Vladimir Putin, disse que a resposta da Rússia era totalmente adaptada à "ameaça constante de atos violentos por parte das forças ultranacionalistas" ucranianas.

No entanto, Putin aceitou a criação de um "grupo de contato" para iniciar um diálogo político sobre a Ucrânia.

Deserção do chefe da marinha ucraniana

Em terra não houve nenhum confronto na Crimeia, apesar da forte tensão.

Homens armados com uniformes sem distintivos e que podem ser soldados russos tinham o controle de vários pontos estratégicos da península, como bases militares, aeroportos e edifícios oficiais.

Em um golpe duro para as autoridades pró-europeias de Kiev, o comandante-em-chefe da marinha da Ucrânia, o almirante Denis Berezovski, nomeado há apenas alguns dias, anunciou no domingo sua adesão às autoridades pró-russas da Crimeia.

Nesta segunda-feira, homens armados e encapuzados bloqueavam a entrada do quartel-general da marinha ucraniana em Sebastopol, para impedir a entrada do novo comandante nomeado por Kiev.

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