Redação Exame
Publicado em 16 de janeiro de 2026 às 10h17.
A Rússia afirmou nesta sexta-feira, 16, que não tem planos agressivos em relação à Groenlândia, território autônomo da Dinamarca que vem sendo reivindicado pelos Estados Unidos sob o argumento de evitar que a ilha caia sob influência de Moscou ou de Pequim.
Em declarações à agência russa TASS, o embaixador da Rússia na Dinamarca, Vladimir Barbin, disse que o país não ameaça seus vizinhos no Ártico nem pretende recorrer a ações militares ou ocupar territórios na região. Segundo ele, Moscou tampouco utiliza chantagens ou pressões para avançar sobre áreas estratégicas do norte.
O diplomata citou declarações recentes do ministro das Relações Exteriores da Dinamarca, Lars Løkke Rasmussen, que negou a existência de ameaças russas ou chinesas à Groenlândia. Ainda assim, Barbin afirmou que países da Otan, incluindo a própria Dinamarca, usam o que chamou de “narrativa da ameaça russa ou chinesa” para justificar a militarização do Ártico.
De acordo com o embaixador, a ampliação da presença da Otan na região, incluindo a Groenlândia, tende a gerar o efeito oposto ao pretendido. Para ele, a iniciativa promove um cenário de confronto que leva ao aumento das tensões militares e à deterioração da segurança regional.
Na véspera, a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, afirmou que Moscou acompanha de perto a situação envolvendo a Groenlândia e defendeu que eventuais divergências sejam solucionadas por meio de negociações baseadas no direito internacional.
A discussão ganhou força após declarações reiteradas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que a Groenlândia deveria estar sob controle americano. Segundo Trump, qualquer alternativa diferente disso seria “inaceitável” do ponto de vista da segurança nacional dos Estados Unidos.