Surto recente do vírus Nipah na Índia envolve dois profissionais de saúde, sem indícios de disseminação internacional (Ruslanas Baranauskas/Divulgação)
Redação Exame
Publicado em 31 de janeiro de 2026 às 11h01.
Dois casos confirmados de infecção pelo vírus Nipah (doença de alta letalidade e sem vacina ou tratamento antiviral específico) na Índia reacenderam preocupações na população, ainda afetada pela pandemia de Covid-19.
Os casos confirmados envolvem dois enfermeiros, um homem e uma mulher, ambos de 25 anos, que atuavam em um hospital particular de Barasat, a cerca de 20 quilômetros ao norte de Calcutá. Eles começaram a apresentar sintomas na primeira semana de dezembro e foram isolados no início de janeiro.
Na última terça-feira, 27, o governo indiano reduziu o nível de alerta após a circulação de "números incorretos" sobre o surto e afirmou que a situação está sob controle. Segundo as autoridades, quase 200 pessoas monitoradas por contato direto com os infectados testaram negativo.
Vírus Nipah: doença que inspirou filme ‘Contágio’ volta a preocupar ÍndiaDe acordo com avaliações da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do Ministério da Saúde, o risco de uma pandemia causada pelo vírus Nipah é considerado baixo, sem ameaça à população brasileira.
"No Brasil, o Ministério da Saúde mantém protocolos permanentes de vigilância e resposta a agentes altamente patogênicos, em articulação com instituições de referência como o Instituto Evandro Chagas e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), além da participação da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas/OMS)", disse a pasta.
"Diante do cenário atual, não há qualquer indicação de risco para a população brasileira. As autoridades de saúde seguem em monitoramento contínuo, em alinhamento com organismos internacionais."
Identificado pela primeira vez em 1999, na Malásia, o vírus Nipah já provocou surtos exclusivamente em países do Sudeste Asiático, que contam com protocolos específicos para detecção e controle rápido.
A transmissão é zoonótica e está associada principalmente a morcegos frutíferos — espécies que não existem no Brasil. A infecção pode ocorrer pelo consumo de alimentos contaminados ou, em casos mais raros, por contato direto entre pessoas ou com superfícies contaminadas.