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Relatório aponta avanço da corrupção global e pior pontuação dos EUA

Mais de 120 países têm pontuação inferior a 50 no índice

Corrupção: Relatório da Transparência Internacional alerta para avanço da corrupção em 2025 (Getty Images)

Corrupção: Relatório da Transparência Internacional alerta para avanço da corrupção em 2025 (Getty Images)

Publicado em 10 de fevereiro de 2026 às 06h45.

A corrupção “está piorando em todo o mundo”, inclusive em democracias consolidadas, em um cenário marcado pelo enfraquecimento da liderança política, alerta a Transparência Internacional (TI) em seu relatório sobre 2025.

O documento aponta ainda que os Estados Unidos registraram a pior pontuação de sua história no Índice de Percepção da Corrupção.

O índice avalia os países em uma escala de 0 a 100, em que 0 representa os países mais afetados pela corrupção. Em 2025, a média global ficou em 42 pontos, o nível mais baixo da última década, segundo a ONG.

“A corrupção está piorando em todo o mundo, afetando inclusive democracias consolidadas, que estão registrando um agravamento da corrupção em um contexto de enfraquecimento da liderança”, afirma a TI no relatório.

No caso dos Estados Unidos, o relatório atribuiu ao país 64 pontos, abaixo dos 65 registrados no ano anterior. Em 2015, a pontuação americana era de 76, o que evidencia uma queda acentuada ao longo da última década.

Segundo a Transparência Internacional, o resultado de 2025 “não reflete plenamente os acontecimentos do ano”, mas já aponta problemas estruturais. A ONG cita a politização da atuação de promotores e ações que minam a independência judicial como sinais preocupantes.

“Essas práticas enviam um sinal perigoso de que comportamentos corruptos são aceitáveis”, afirma a organização.

O relatório também critica os cortes da ajuda dos Estados Unidos à sociedade civil no exterior, destacando que essas decisões enfraqueceram os esforços globais de combate à corrupção.

Quadro global preocupante

O levantamento mostra que 122 dos 182 países avaliados tiveram pontuação inferior a 50, indicando níveis elevados de corrupção. Ao mesmo tempo, o número de países com pontuação acima de 80 caiu drasticamente, de 12 há uma década para apenas cinco em 2025.

Por regiões, a Europa Ocidental apresentou a melhor média, com 64 pontos, enquanto a África Subsaariana registrou a pior, com 32.

Países mais e menos bem colocados

Pelo oitavo ano consecutivo, a Dinamarca liderou o ranking, com 89 pontos, seguida por Finlândia (88), Singapura (84), Nova Zelândia (81), Noruega (81), Suécia (80) e Suíça (80).

Na outra ponta do índice aparecem Sudão do Sul (9), Somália (9), Venezuela (10), Iêmen (13), Líbia (13), Eritreia (13), Sudão (14), Nicarágua (14) e Síria (15).

Retrocessos nas Américas

A média da região das Américas ficou em 42 pontos, a mesma da média global. Na América Latina, o Uruguai obteve o melhor desempenho, com 73 pontos, figurando entre os destaques regionais ao lado do Canadá (75) e de Barbados (68).

Apesar disso, a Transparência Internacional alerta que mesmo esses países apresentam retrocessos “preocupantes”.

“Eles estão entre as democracias mais sólidas da região, mas o crescimento limitado e seus retrocessos são motivo de alerta”, aponta o relatório.

A ONG afirma ainda que as Américas não mostram avanços na luta contra a corrupção e que, desde 2012, 12 dos 33 países da região pioraram consideravelmente.

Países como El Salvador (32) e Equador (33) enfrentam um declínio na transparência e nas liberdades civis, segundo a TI.

Ao comentar a situação da Venezuela, a Transparência Internacional afirma que a pontuação do país reflete anos de corrupção generalizada e atividades ilícitas, que resultaram no aumento da pobreza e da desnutrição.

Mesmo na Europa Ocidental, alguns países registraram quedas significativas, como o Reino Unido (70), a França (66) e a Espanha (55).

A ONG lembra que esses países lançaram planos nacionais anticorrupção, mas ressalta que, para serem eficazes, as medidas precisam ser ambiciosas, bem financiadas e rigorosamente supervisionadas.

O presidente da Transparência Internacional, François Valérian, fez um apelo direto aos governos.

“Conclamamos os governos e seus líderes a atuarem com integridade e a estarem à altura de suas responsabilidades”, afirmou.

*Com informações da AFP

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