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Presidente eleito do Chile enfrenta crise de incêndios florestais, que deixaram 19 mortos

Reconstrução das áreas afetadas pode pressionar o orçamento público, num momento em que o novo governo busca manter promessa de limitações financeiras

Mateus Omena
Mateus Omena

Repórter

Publicado em 19 de janeiro de 2026 às 18h01.

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O presidente eleito do Chile, José Antonio Kast, assumirá o cargo em meio a uma crise provocada por incêndios florestais que deixaram ao menos 19 mortos e centenas de desabrigados no último fim de semana. A tragédia marca o início de um processo de reconstrução que deverá se intensificar a partir de sua posse, marcada para 11 de março.

As chamas ainda estavam ativas nesta segunda-feira, 19 de janeiro, nas regiões centro-sul de Biobío e Ñuble, causando a evacuação de mais de 50 mil pessoas. Bairros inteiros foram destruídos pelo fogo e encobertos por uma densa fumaça.

A região mais afetada concentra-se nos arredores do porto industrial de Concepción, cerca de 500 quilômetros ao sul da capital, Santiago. Ventos intensos e temperaturas próximas a 38°C alimentaram as chamas, que atingiram também áreas de floresta e algumas zonas agrícolas.

Kast visitou as regiões atingidas no domingo, 18, e, na manhã seguinte, reuniu-se com assessores e com o atual presidente, Gabriel Boric, para alinhar ações diante da crise.

“Já estamos pensando no que caberá a nós fazer, e isso se resume principalmente à reconstrução”, disse o prefeito eleito. Segundo ele, o processo exigirá planejamento prévio e deverá ser executado de forma “rápida, eficaz e oportuna”.

Desafios para o novo presidente

Durante sua campanha, José Antonio Kast criticou a condução do governo Boric frente aos incêndios ocorridos em 2024, na região de Viña del Mar, que resultaram em 138 mortes. A atual situação impõe um desafio imediato à gestão do conservador, que prometeu cortes de gastos, aumento da segurança pública e maior eficiência administrativa.

A reconstrução das áreas afetadas pode pressionar o orçamento público, num momento em que o novo governo busca equilibrar promessas e limitações financeiras. Kast ainda precisa lidar com dúvidas quanto à sua experiência no Executivo e com a construção de alianças políticas.

Advogado e ex-deputado, ele declarou intenção de incluir membros de centro e da direita no governo, focando em temas como crescimento econômico, criminalidade e imigração ilegal, segundo informações da Bloomberg.

“Quero enfatizar que esta emergência não pode nos fazer esquecer todas as outras emergências que afetam nossa nação”, afirmou Kast, ao mencionar questões de segurança nas fronteiras do norte do país.

Kast confirmou que apresentará seu gabinete na noite de terça-feira, 20 de janeiro, com 25 nomes a serem anunciados. Também manteve sua viagem prevista para o fim do mês, com destinos na República Dominicana, El Salvador e Panamá, onde participará de fórum do Banco de Desenvolvimento da América Latina e do Caribe (CAF).

Na reunião de segunda-feira, estavam presentes assessores próximos que devem compor a equipe ministerial, incluindo o economista Jorge Quiroz, cotado para a Fazenda; Iván Poduje, especialista em urbanismo; a porta-voz Mara Sedini; a socióloga María Jesús Wulf; o ex-presidente do Senado, José García Ruminot; e Claudio Alvarado, apontado como possível Ministro do Interior.

Grandes danos

Em coletiva conjunta, Gabriel Boric informou que o número de casas destruídas pode ultrapassar mil. Mais tarde, o Senapred, órgão de emergência do governo chileno, ordenou novas evacuações em Concepción e na cidade vizinha de Penco.

Segundo a associação agropecuária regional Socabio, houve impacto em áreas de criação de gado nos municípios de Laja e Nacimiento, mas sem prejuízo relevante à produção. Já a associação Frutas de Chile reportou ausência de danos em plantações de frutas, setor agrícola de destaque na região.

Os incêndios florestais no Chile são recorrentes durante o verão no Hemisfério Sul, com causas muitas vezes atribuídas a ações criminosas ou negligência humana. A vizinha Argentina também enfrenta dificuldades com focos de incêndio em seu território.

“É essencial realizar uma investigação minuciosa sobre a origem desses incêndios, pois a forma como começaram provavelmente indica intencionalidade”, disse José Miguel Stegmeier, presidente da Socabio.

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