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Por que México enfrenta onda de protestos antes da Copa?

Grupos de estudantes e professores prometem atos para dia de abertura do torneio

Vendedor vende tacos a policiais que trabalham para conter protestos na Cidade do México
 (Yuri Cortez/AFP)

Vendedor vende tacos a policiais que trabalham para conter protestos na Cidade do México (Yuri Cortez/AFP)

Publicado em 11 de junho de 2026 às 06h01.

Milhares de manifestantes bloquearam uma avenida que leva ao Estádio Azteca, na Cidade do México, nesta terça-feira, 9, em mais um dia de protestos a menos de 24 horas do início da Copa do Mundo de 2026.

O Estádio Azteca sediará, pela terceira vez, a cerimônia de abertura do Mundial na quinta-feira, 11, com a partida entre México e África do Sul.

O protesto foi organizado por um grupo dissidente do sindicato de professores, a CNTE, que vem liderando manifestações na capital mexicana desde a semana passada.

"Pretendemos chegar ao estádio", disse à AFP Ángel Villalobos, um dos professores que participavam do protesto que exige um aumento salarial e a revogação de uma lei previdenciária, medidas que o governo considera inviáveis. "O governo deu algumas respostas, mas elas não são nem favoráveis nem satisfatórias", acrescentou Villalobos.

Em resposta, foram mobilizados milhares de policiais, que instalaram barreiras de concreto e posicionaram um reboque atravessado na via para bloquear o trajeto da marcha.

Por sua vez, a presidente do México, Claudia Sheinbaum, garantiu mais cedo que a cerimônia "está assegurada" e descartou o uso da polícia para reprimir manifestantes.

"Vemos isso como uma provocação, uma forma de dizer: 'Olhem só como a situação no México está ruim'", disse Sheinbaum em sua coletiva de imprensa diária. "Há muitos problemas, mas nós os enfrentamos."

"A Copa do Mundo será desfrutada de qualquer forma", assegurou a presidente.

O México vai sediar o Mundial pela terceira vez, após os torneios de 1970 e 1986, desta vez em conjunto com os Estados Unidos e o Canadá. O torneio começa na quinta-feira, 11, e termina em 19 de julho.

O México também corre contra o tempo para concluir reformas nas estações de metrô e no seu principal aeroporto.

"Vamos continuar nossa luta"

Tropas impedem ônibus carregando estudantes que querem se juntar aos protestos no México (Yuri Cortez/AFP)

A CNTE está em greve há mais de uma semana. O grupo bloqueia ruas diariamente, e seus integrantes chegaram a derrubar um conjunto de estátuas em homenagem à Copa do Mundo no movimentado Paseo de la Reforma, na Cidade do México. Os professores também montaram um acampamento a poucos quarteirões da praça central, o Zócalo, onde ficará a principal 'Fan Fest' da capital.

"Vamos continuar nossa luta aqui", disse Austreberto Flores, que também participava da manifestação rumo ao estádio, à AFP.

O governo afirma ter melhorado as condições para os professores e pede diálogo. Mesmo assim, o CNTE convocou novos protestos para quinta-feira, dia da partida de abertura. Familiares de pessoas desaparecidas também planejam ir às ruas nesse dia.

A presidente não comparecerá à cerimônia de abertura da Copa do Mundo no Estádio Azteca. Ela afirmou que está avaliando se participará da 'Fan Fest' no Zócalo, onde fica o Palácio Nacional, conforme planejado inicialmente.

"Vamos ver como a situação com os professores se desenrola", disse ela sobre sua presença. "Preciso acompanhar isso de perto."

Com AFP 

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