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Partidos alemães se polarizam antes das eleições devido à crise migratória

Conservadores endurecem discurso e ultradireita tenta capitalizar politicamente a situação

Crise migratória: tema central nas eleições alemãs (Westend61/Getty Images)

Crise migratória: tema central nas eleições alemãs (Westend61/Getty Images)

EFE
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Agência de Notícias

Publicado em 18 de fevereiro de 2025 às 10h34.

Última atualização em 18 de fevereiro de 2025 às 10h40.

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A questão migratória voltou ao centro do debate político na Alemanha às vésperas das eleições deste domingo, impulsionada por uma série de ataques cometidos por solicitantes de asilo. O tema levou os conservadores a endurecerem suas propostas, aproximando-se até da ultradireita, que tenta capitalizar politicamente a discussão.

O atropelamento em massa ocorrido na semana passada em Munique, cometido por um afegão, o ataque a faca em Aschaffenburg, também protagonizado por um afegão em janeiro, e o atentado em um mercado de Natal em dezembro, realizado por um saudita em Magdeburgo, tornaram a imigração e a segurança temas centrais na disputa eleitoral.

A crise ocorre uma década após a então chanceler Angela Merkel abrir as portas do país para centenas de milhares de refugiados, declarando: "Nós conseguiremos". Hoje, segundo uma pesquisa da ZDF publicada na última sexta-feira, a migração é o fator decisivo para um quarto dos eleitores, enquanto 28% ainda se dizem indecisos.

“Nunca chegaram tantos refugiados à Alemanha como nos últimos três anos: são 1,2 milhão de ucranianos e cerca de 850 mil requerentes de asilo. Esses números não eram registrados no país desde os anos 1940”, afirmou à EFE Gerald Knaus, cofundador do instituto de pesquisa Iniciativa de Estabilidade Europeia.

A chegada em massa de migrantes tem pressionado os serviços sociais. Cerca de 25% dos municípios que prestam assistência estão operando no limite de sua capacidade, segundo Knaus.

Avanço da ultradireita e pressão sobre os conservadores

A União Democrata-Cristã (CDU), favorita nas pesquisas, e os partidos com os quais deve formar coalizão – o Partido Social-Democrata (SPD) e os Verdes – adotaram uma postura mais rígida sobre imigração, pressionados pelo crescimento da ultradireitista Alternativa para a Alemanha (AfD).

CDU e AfD defendem “controles permanentes nas fronteiras”, algo que, segundo Knaus, “não pode ser implementado dentro do espaço Schengen”. A AfD, fortalecida por vitórias eleitorais no leste do país, defende o fim da “imigração descontrolada”, propondo, entre outras medidas, negar asilo a quem já tenha passado por outro país da União Europeia.

Endurecimento político e protestos

Em linha semelhante, a CDU defende "uma mudança fundamental na política migratória". Seu líder, Friedrich Merz, apresentou no Parlamento propostas para restringir a entrada de solicitantes de asilo e acelerar deportações.

Merz conseguiu aprovar uma moção não vinculante com apoio da AfD e tentou avançar um projeto de lei que também contou com votos da ultradireita. Essa aproximação simbólica gerou protestos em todo o país, incluindo manifestações em frente à sede da CDU, e foi vista como uma quebra do "tabu" que mantinha os partidos tradicionais afastados da AfD.

Embora CDU e AfD tenham votado juntos, Merz nega qualquer cooperação com a extrema direita. No entanto, [a pressão pública sobre a questão migratória levou até mesmo o chanceler Olaf Scholz, do SPD, a endurecer seu discurso]. Ele declarou que a Alemanha "precisa deportar de uma vez por todas em grande escala", sinalizando uma mudança de tom no governo.

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