Repórter
Publicado em 26 de novembro de 2024 às 15h19.
A energia nuclear, marcada por altos e baixos desde o início do seu uso comercial nos anos de 1950, voltou a ganhar atenção devido ao avanço da Inteligência Artificial (IA). Grandes empresas de tecnologia como Amazon, Microsoft e Google estão investindo nessa matriz energética para atender à demanda crescente por energia confiável e de baixa emissão de carbono para garantir o funcionamento de seus data centers.
Com ascensão nos anos de 1970, ela ganhou destaque como alternativa aos combustíveis fósseis, especialmente após a crise do petróleo em 1973. Países como França, Eslováquia e Ucrânia apostaram fortemente nessa matriz, que hoje responde por uma parte significativa de sua geração de energia. No entanto, preocupações com acidentes, como os de Chernobyl e Fukushima, e com o descarte de resíduos nucleares reduziram o ritmo de expansão no século XXI.
Abaixo, estão os 10 países do mundo mais dependentes de energia nuclear dentro da sua matriz energética de acordo com a Associação Mundial Nuclear, responsável por compilar dados sobre este setor, incluindo informações sobre como os países a utilizam com o objetivo de manter especialistas e organizações interessadas atualizadas sobre o tema.
O país europeu é o mais dependente deste tipo de energia no mundo. Usada em larga escala desde os anos de 1970, o investimento massivo neste tipo de matriz energética aconteceu após a crise do petróleo de 1973. Atualmente, a França possui 56 reatores nucleares e em 2023, eles eram responsáveis por gerar 65% de toda a energia consumida pela população francesa, segundo o site Ember Climate, que compila dados sobre matrizes energéticas ao redor do mundo.
Por conta desse contexto, a França é o país do G20 com a produção de energia mais limpa entre os membros do grupo em decorrência da baixa emissão de carbono da energia nuclear. No entanto, levando em conta cadeia produtiva, ela também é altamente poluente.
Localizada na parte central da Europa, o país de 5,4 milhões de habitantes possui atualmente cinco reatores nucleares em funcionamento e mais um em construção, sendo que essa matriz energética começou a ser usada em 1972. Atualmente, é a principal fonte de energia do país, correspondendo a 52% de toda a produção energética, seguida por hidrelétrica (15%), gás natural (15%), carvão (7%), biocombustíveis (7%) e solar.
Atualmente, 55% da energia consumida pela população ucraniana é produzida por meio dos 15 reatores nucleares do país. Como ex-membro da União Soviética até 1991, uma parte significativa da tecnologia usada ainda é de origem russa.
Mesmo com essa ligação, a situação mudou a partir do início da guerra contra Rússia em fevereiro de 2022. Logo no início do conflito, a Ucrânia desconectou sua rede elétrica da Bielorrússia e da Rússia e solicitou sincronização de emergência com a rede europeia. Desde então, o governo Putin tem visto como alvo a infraestrutura civil do país vizinho e faz ataques ao seu sistema de energia nuclear.
O país do leste europeu mantém há pelo menos 10 anos, quatro reatores nucleares em operação. O primeiro deles começou a operar em 1982 e juntos, foram responsáveis pela produção de 44% de toda energia do país em 2021, seguida por gás natural (27%), solar (11%) e carvão (9%).
Em 2023, 40,4% da energia búlgara era proveniente dos seus dois reatores nucleares. Desde 1974, quando a primeira usina foi colocada em funcionamento, outras quatro foram fechadas. Mesmo assim, o país segue com planos para esse tipo de matriz energética, tanto que em março de 2024, o parlamento ratificou um acordo de cooperação com os EUA referente à construção de Westinghouse AP1000s, um reator nuclear de água pressurizada (PWR) que utiliza um sistema de segurança passivo, considerado o mais avançado, seguro e econômico para as usinas Kozloduy 7 e 8.
Com reatores nucleares ativos desde 1974, o país possui cinco usinas ativas e juntas elas produziram 41,2% da energia nuclear usada pelos belgas em 2023. Mesmo com apoio relativamente baixo à expansão dessa matriz energética no país que já teve outras três usinas fechadas, os planos de fechar todas as que estão em operação até 2025 foi postergado por 10 anos e as plantas Doel 4 e Tihange 3 estão autorizadas a seguir operando até 2035.
A única usina nuclear do país é a de Krško, compartilhada com a Croácia desde 1981. Sozinha, ela gerou 36,8% da energia utilizada na Eslovênia em 2023, uma ligeira diminuição em comparação com 2022, que foi de 41%. Outras matrizes energéticas utilizadas pelos eslovenos são: hidroelétrica (25%), carvão (24%) e solar (4%).
Os seis reatores nucleares em operação foram construídos ao longo de 39 anos, desde que o primeiro começou a funcionar em 1989. Mesmo que em 2023 40% da energia consumida tenha sido proveniente desta matriz energética, a principal fonte usada pelos tchecos ainda é o carvão, segundo dados da Associação Mundial Nuclear que mostra que ele foi responsável por 44% de toda a geração elétrica de 2022.
Outras fontes de energia do país são: gás natural, biocombustíveis e energia hidrelétrica.
Com duas usinas nucleares na sua história, uma delas ainda em funcionamento e outra fechada, o país da Ásia Ocidental começou a usar esse tipo de energia em 1976. Em 2023, ela representou 31,1% do consumo local.
Metsamor fica na cidade que tem o mesmo nome, a 35 quilômetros da capital Yerevan, e foi construída na mesma época que Chernobyl, na Ucrânia. Sua localização é considerada de risco, por conta dos terremotos da região, mas após ser fechada em 1988 por conta dos tremores, foi reaberta em 1995.
O consumo de energia nuclear cresceu na Finlândia entre 2022 e 2023. Enquanto dois anos atrás essa porcentagem era de 35%, em 2023 subiu para 42%, valor advindo da produção dos cinco reatores nucleares do país.
Pensando na cadeia completa de produção, o programa de gerenciamento de resíduos nucleares da Finlândia foi iniciado em 1983. A Posiva Oy foi então criada como uma empresa de joint venture TVO - Fortum. O descomissionamento do reator é de responsabilidade das duas empresas de energia separadamente, e os planos são atualizados a cada cinco anos. A responsabilidade pelos resíduos nucleares permanece com as empresas de energia até seu descarte final.