Obama parte para viagem de reconciliação com a América Latina

Washington quer aproveitar o enorme potencial econômico da relação bilateral com um país que se transformou na sétima potência mundial

Washington - O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, parte nesta sexta-feira em direção ao Brasil, a primeira etapa de uma viagem pela América Latina que a Casa Branca descreveu como "emblemática".

O governo americano concedeu uma importância especial a esta visita, apesar de que ocorre em um difícil momento no cenário internacional, devido à situação vivida pelo Japão após o terremoto da última semana e a crise na Líbia.

O líder americano embarcará à noite em Washington acompanhado por sua família, e chegará amanhã a Brasília, onde após uma cerimônia de boas-vindas o aguarda uma intensa reunião bilateral com a presidente Dilma Rousseff.

"Vemos uma enorme convergência de interesses entre Brasil e Estados Unidos, e um momento enorme de oportunidades", afirmou nesta semana o conselheiro adjunto de Segurança Nacional dos EUA, Ben Rhodes.

Washington quer aproveitar o enorme potencial econômico da relação bilateral com um país que se transformou na sétima potência econômica e cujas trocas comerciais com os Estados Unidos dobraram na década passada.

Depois que China superou os EUA como principal comprador das exportações brasileiras, Washington quer recuperar a iniciativa e está interessado, segundo a Casa Branca, em desenvolver uma colaboração especialmente em energia e infraestruturas - especialmente em relação aos investimentos que o Brasil terá que fazer para os Jogos Olímpicos de 2016 e a Copa do Mundo de 2014.

Além disso, o Brasil conta com reservas de petróleo que equivalem ao dobro das americanas, e encara a perspectiva de se transformar em exportador da matéria-prima. Além disso, os presidentes abordarão a colaboração em energia nuclear.

Embora os EUA garantam que uma das grandes vertentes da viagem é fomentar a criação de empregos, a conversa com Dilma não se limitará a estes aspectos.


Os dois governantes falarão também sobre o Irã. No ano passado, Brasília e Washington se distanciaram politicamente por causa, entre outros fatores, do apoio do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao programa nuclear iraniano e à proposta de mediação brasileira para evitar a imposição de sanções da ONU contra Teerã.

Dilma mostrou uma posição mais moderada e a Casa Branca destacou o respeito às sanções impostas em maio do ano passado por parte do Brasil, assim como os comentários da presidente sobre os direitos humanos no Irã.

Os dois líderes abordarão também as aspirações do Brasil a um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU, e Obama poderia anunciar seu respaldo, o que faria com que as tensões de 2010 - sobre Irã, Cuba e questões comerciais - ficassem para trás.

Obama deverá destacar a importância que dá ao Brasil em discurso que pronunciará no domingo, no Rio de Janeiro, provavelmente no Teatro Municipal.

Segundo Rhodes, nesse discurso o presidente "dará as boas-vindas a um Brasil que desempenha um papel substancial no cenário mundial".

Se em Brasília, onde Obama também participará de um fórum com empresários, serão abordadas as relações bilaterais com a classe política e financeira do país, no Rio de Janeiro haverá uma oportunidade para "interagir" com o povo brasileiro, segundo as palavras do chefe da política para a América Latina na Casa Branca, Dan Restrepo. Nesse sentido, Obama e sua família irão no domingo ao Corcovado, um dos principais símbolos da cidade.

Também foi cogitada a visita do presidente americano a uma favela, embora por motivos de segurança a Casa Branca não tenha confirmado qual - Cidade de Deus e Santa Marta são as principais candidatas a recebê-lo.

A viagem presidencial continuará na segunda-feira em Santiago, onde ele se reunirá com o líder chileno, Sebastián Piñera, para debater questões econômicas e, sobretudo, a cooperação no âmbito da energia nuclear.

Na última etapa, em El Salvador, Obama deverá se reunir com o presidente Mauricio Funes para tratar de assuntos como a imigração, a criação de oportunidades econômicas nesse país centro-americano e a segurança.

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