Repórter
Publicado em 2 de junho de 2026 às 08h00.
A proposta do governo dos Estados Unidos de aplicar uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros veio acompanhada de uma extensa lista de exceções que preserva parte relevante das exportações do Brasil.
O Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) concluiu a investigação comercial aberta contra o país e divulgou uma relação de 73 páginas com produtos que permaneceriam fora da cobrança.
A medida ainda passará por consulta pública antes de uma eventual implementação.
Entre os itens poupados estão café, determinadas carnes, frutas, cereais, sementes, fertilizantes, produtos farmacêuticos, minerais, terras raras, aeronaves brasileiras e peças aeronáuticas.
Na prática, a lista reduz o impacto potencial da tarifa sobre alguns dos principais setores exportadores do Brasil para o mercado americano.
A relação divulgada pelo governo americano inclui dezenas de categorias de produtos considerados estratégicos para a economia dos dois países.
Entre os principais itens preservados estão:
A exclusão desses produtos da cobrança é vista como uma forma de evitar impactos sobre cadeias produtivas relevantes para os próprios Estados Unidos.
Embora a lista de exceções seja ampla, ela não protege toda a pauta exportadora brasileira.
Produtos industriais, manufaturados e categorias que não aparecem entre as isenções continuam potencialmente sujeitos à tarifa de 25% caso a medida seja efetivamente adotada após o período de consulta pública.
O documento do USTR utiliza códigos tarifários específicos, o que significa que alguns segmentos podem ter apenas parte de seus produtos protegidos, enquanto outros permanecem expostos à nova cobrança.
A definição final dependerá da conclusão do processo conduzido pelo governo americano.
A investigação foi aberta em julho de 2025 com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, instrumento usado pelos Estados Unidos para apurar práticas comerciais consideradas prejudiciais aos interesses americanos.
No relatório final, o USTR concluiu que determinadas políticas brasileiras seriam "irrazoáveis" e estariam restringindo o comércio dos Estados Unidos.
As críticas se concentram em áreas como comércio digital, serviços de pagamento, acordos tarifários, desmatamento, mercado de etanol, propriedade intelectual e combate à corrupção.
O Pix aparece entre os principais pontos questionados. Segundo o órgão, o Banco Central atuaria simultaneamente como regulador e operador do sistema, o que, na avaliação americana, poderia gerar distorções concorrenciais.
O documento também faz críticas à política brasileira para o etanol, à proteção de patentes, à fiscalização do desmatamento e às medidas de combate à corrupção adotadas pelo país.
Após concluir a investigação, o USTR abriu uma nova fase de consulta pública para receber manifestações de empresas, entidades e interessados.
O prazo legal para que os Estados Unidos decidam pela implementação das medidas termina em 15 de julho de 2026.
Enquanto isso, Brasil e Estados Unidos seguem negociando uma solução para evitar novas barreiras comerciais.
O grupo de trabalho criado pelos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Donald Trump continua discutindo alternativas para reduzir as divergências apontadas pelo governo americano.
*Com O Globo