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Candidato tenta impedir que camisa da seleção seja usada na campanha na Colômbia

Abelardo de la Espriella, de direita, adotou uniforme de futebol como símbolo

Eleitores votam em Barranquilla, com camisa da seleção colombiana (Rodrigo Buendia/AFP)

Eleitores votam em Barranquilla, com camisa da seleção colombiana (Rodrigo Buendia/AFP)

Rafael Balago
Rafael Balago

Repórter de internacional e economia

Publicado em 2 de junho de 2026 às 06h01.

O senador Iván Cepeda, que disputa a eleição presidencial na Colômbia, quer que seu rival, Abelardo de la Espriella, deixe de usar a camisa da Seleção do país na campanha.

Espriella, de direita, foi o mais votado no primeiro turno. Ele teve 43% dos votos no domingo, 31. Cepeda somou 40%.

Na reta final da campanha, Espriella passou a usar mais a camisa do país em eventos públicos e convocou seus apoiadores a usar o uniforme ao votar. O candidato usa um tom nacionalista na campanha.

No domingo, 31, a EXAME viu poucas pessoas em Bogotá com a camisa da seleção, mas presenciou um senhor vestido com o traje amarelo provocar apoiadores de Cepeda, que se reuniam em frente ao local onde o candidato votou. Ele cantarolou "Petro, me diga o que sente", uma versão de um canto argentino usado contra o Brasil na Copa de 2014.

Cepeda questiona o uso político do símbolo nacional. "A camisa da seleção é de todos os colombianos", disse.

O candidato de esquerda questionou a Federação Colombiana de Futebol (FCF) sobre o uso político da camisa, mas recebeu uma resposta de qualquer cidadão pode comprar a camisa.

"A FCF informa que não é distribuidora da camisa da seleção da Colômbia. Qualquer cidadão pode adquiri-la nos pontos autorizados pela Adidas", disse a entidade, em comunicado.

O segundo turno da eleição será disputado em 21 de junho, durante a realização da Copa. A Colômbia enfrenta o Uzbequistão no dia 17, e a República Democrática do Congo, no dia 23.

Abelardo de la Espriella, candidato a presidente da Colômbia mais votado no 1º turno, durante discurso em Barranquilla

Abelardo de la Espriella, candidato a presidente da Colômbia mais votado no 1º turno, durante discurso em Barranquilla (Rodrigo Buendia/AFP)

Quem é Abelardo de la Espriella?

O candidato, de 47 anos, fez fortuna como advogado, defendendo autores de crimes polêmicos, como o de David Guzmán, que criou um esquema de pirâmide que atingiu 200 mil correntistas. Também defendeu traficantes, jogadores de futebol e Alex Saab, acusado de lavar dinheiro para o regime de Nicolás Maduro na Venezuela.

O advogado também fez carreira como empresário, e atua em negócios variados, como uma grife de roupas, vinho, rum, café e restaurantes.

Em seu site, Espriella se define como "um homem renascentista do século 21" e se compara a Leonardo da Vinci, por ter múltiplos interesses. Ele também escreveu livros, cantou ópera e atuou em filmes e séries.

Agora, ele busca o cargo de presidente. Antes residente em Miami, entrou para a política, segundo ele, para impedir que a Colômbia seja "destruída" pela esquerda.

Na campanha, ele alterna entre ternos de corte impecável e roupas mais casuais, como um boné, que lembra o estilo de Nayib Bukele, de El Salvador, um presidente que admira.

Outra referência veio de Javier Milei. Ele diz ser "o tigre", enquanto o presidente argentino se compara a um leão.

As propostas

Espriella criou o movimento Defensores de la Patria, em 2025, e conseguiu reunir assinaturas para se registrar e disputar a Presidência, com foco no combate à violência.

Para combater as máfias no país que mais produz cocaína no mundo, propõe uma aliança militar com os Estados Unidos e Israel, a construção de megapresídios e defende o porte de armas.

"Em meu governo, bandido que não se submeter à Justiça será abatido", disse à AFP em fevereiro.

Também quer reduzir o tamanho do Estado, fazer reformas trabalhistas para flexibilizar as jornadas e cortar impostos das empresas.

O candidato afirmou que era preciso "estripar" a esquerda na Colômbia, embora depois tenha suavizado a declaração. Também fez comentários considerados homofóbicos e machistas, embora defenda maior igualdade e segurança para as mulheres.

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