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O que a Guiana fará com seu maior Orçamento da história?

País quer usar recursos do petróleo para estimular crescimento em outras áreas e fará pagamentos diretos à população

Caminhão na estrada que liga Linden e Lethem, no Essequibo, na Guiana; trajeto será substituído por nova estrada (Joaquin Sarmiento/AFP)

Caminhão na estrada que liga Linden e Lethem, no Essequibo, na Guiana; trajeto será substituído por nova estrada (Joaquin Sarmiento/AFP)

Rafael Balago
Rafael Balago

Repórter de internacional e economia

Publicado em 6 de fevereiro de 2026 às 15h17.

A Guiana terá, em 2026, seu maior orçamento da história, impulsionado pela alta da exploração de petróleo, que tem levado o país a recordes de crescimento econômico nos últimos anos. A alta foi de 63,3% em 2022, 33,8% em 2023, 43,8% em 2024, 19,3% em 2025.

O Orçamento nacional de 2026 terá 1,558 trilhão de dólares da Guiana (R$ 39 bilhões), um aumento de 12,7% em relação a 2025, e de 307% a mais desde 2021, segundo o governo. A Guiana espera ver seu PIB crescer 16,2% em 2026. A economia não relacionada ao petróleo deve avançar 10,8%.

Como comparação, o estado do Piauí, no Brasil, terá um orçamento de R$ 25 bilhões este ano. Já a cidade de São Paulo terá R$ 135 bilhões previstos, mais do que o triplo do valor da Guiana.

O governo quer usar o dinheiro para desenvolver o país e prevê uma série de medidas. No agro, serão investidos 113,2 bilhões de dólares locais (R$ 2,8 bilhões) para o desenvolvimento do setor. As maiores expansões estão previstas para a produção de açúcar (+67,9%), produtos florestais (7,6%) e pescados (2%).

O setor de mineração deverá avançar 17,6%, puxado pela alta na extração de petróleo. A expectativa é que a produção de barris por dia supere 840 mil neste ano.

Ao mesmo tempo, o setor de construção deve avançar 25,4% no ano, e o de serviços 6,8%.

Em infraestrutura, estão previstos 196,1 bilhões de dólares da Guiana (R$ 5 bilhões) para a construção de estradas e pontes.

Na parte fiscal, há o plano de criar zonas especiais livres de impostos, como a Zona Franca de Manaus, fazer pagamentos diretos aos guianenses e investir forte na expansão da agricultura e na rede de estradas. Haverá também isenções fiscais para diversos setores, incluindo a agricultura, os móveis e a produção de joias. As isenções do imposto de renda serão ampliadas.

Do orçamento, US$ 100 milhões serão usados para criar o Banco de Desenvolvimento da Guiana, para fornecer crédito especialmente a pequenas e médias empresas, mulheres e pessoas com deficiência. Haverá até US$ 3 milhões em crédito a juros zero e sem garantias, para investimentos em áreas específicas.

“A verdadeira transformação não se mede apenas por projetos, mas pelas oportunidades criadas para que cada família prospere", disse Ashni Singh, ministro das Finanças, no Parlamento.

Repasses diretos

Neste ano, haverá novamente um pagamento anual a todos os adultos guianenses, de 100 mil dólares da Guiana (R$ 2,550).

O governo aumentará os repasses diretos para famílias com crianças, que somarão 12,4 bilhões (R$ 32 milhões). As aposentadorias serão aumentadas de 41 mil para 46 mil dólares da Guiana por mês (R$ 1.170)

O governo dará 7,5 bilhões de dólares locais (R$ 190 milhões) para um programa de apoio a reforma de casas e mais crédito para o financiamento de moradias.

No setor automotivo, haverá redução de impostos para os carros grandes e isenção para veículos de até 1.500 cilindradas. Pelas novas regras, os impostos serão zerados para a importação de quadriciclos (ATVs) e motores de até 150 cavalos, para facilitar o transporte em áreas remotas do país. As taxas sobre combustíveis derivados de petróleo seguirão zeradas, enquanto os impostos sobre fretes serão reduzidos.

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