Nova York se recolhe à espera do furacão Sandy

Um furacão monstruoso, com potencial para ser o maior já registrado a atingir os Estados Unidos, avança rumo à cidade, ameaçando provocar prejuízos catastróficos

Nova York – Dizem que Nova York é a cidade que nunca dorme. Mas, andando no domingo por Manhattan, parecia que muitas empresas estavam preparadas para uma pausa, talvez por vários dias.

Um furacão monstruoso, com potencial para ser o maior já registrado a atingir os Estados Unidos, avançava rumo à cidade, ameaçando provocar prejuízos catastróficos, inundações bíblicas e apagões com duração de vários dias.

Na Times Square, os restaurantes, lojas de produtos eletrônicos e perfumarias estavam dispensando funcionários antes das 19h, horário em que o metrô pararia de circular. As mesmas cenas se repetiam em locais movimentados, como a avenida Madison, o Greenwich Village e a Bleeker Street. Muitos estabelecimentos não tinham prazo para reabrir.

“Depois de segunda-feira, os empregados ficarão de prontidão”, disse Jerome Ison, balconista da loja Burberry.

Na padaria Magnolia, cujos cupcakes se tornaram famosos graças à série de TV “Sex and the City”, os fornos foram desligados por volta de 12h, e novas fornadas foram canceladas.

Em toda Manhattan, vendedores de pretzels e “hot-dogs” estavam recolhendo suas coisas e, em muitos casos, cruzando as pontes e túneis que levam a Nova Jersey, Brooklyn e Staten Island.

“Todo mundo está indo embora”, disse a vendedora de amendoim Miah Daras, moradora do Bronx. “Para mim, está sendo um prejuízo de 300 dólares por dia.” A fuga de Manhattan foi motivada pela interrupção generalizada dos transportes, uma situação que ilustra uma divisão socioeconômica — há muitos moradores ricos em Manhattan, mas quem lhes presta serviços tende a viver nos outros “boroughs” (distritos) da cidade.

Sem transporte público, e com a possibilidade de que pontes e túneis sejam fechados para os veículos particulares, essas duas populações ficarão isoladas, sabe-se lá por quanto tempo.

“Preciso que meus empregados cheguem às suas casas em segurança”, disse Gale Shim, dono de uma loja de alimentos saudáveis. Ele decidiu ficar na loja para enfrentar a situação, depois de passar a semana ouvindo os alertas de ventos de 120 km/h. Seu consolo é ter seguro contra a perda de alimentos, mas ele está preocupado com o risco de inundação no estabelecimento.


Preocupações como essa se repetem em toda a cidade, mas os novaiorquinos –que enfrentaram aos atentados de 11 de setembro de 2001, um apagão em 2003 e o furacão Irene, no ano passado– não se abalam por qualquer coisa. Alguns fazem questão de ser do contra.

Enquanto muita gente estoca água e comida, Chris Conway, de 41 anos, se gabava de descrever o conteúdo da sua geladeira: “Quatro diferentes tipos de Tabasco e um pote de molho para bife A-1”.

Muitos estabelecimentos também ousaram permanecer abertos, como é o caso da Walgreens, loja 24 horas em Manhattan. O gerente Clarence Ricketts reservou um espaço com colchões de ar –vendidos na própria loja– para acomodar os empregados.

E um tipo de comércio está definitivamente satisfeito com a tempestade: os bares.

No domingo, o Corner Bistro, no centro de Manhattan, estava lotado. O local já havia encarado o furacão Irene, e, durante o apagão de 2003, um gerente que tentou fechar as portas acabou sendo demitido.

“O Bistro só fecha nos dias de Ação de Graças e Natal, e olhe lá”, disse o balconista Jeff Sheehan.

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