Repórter
Publicado em 18 de fevereiro de 2026 às 15h55.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) anunciou a identificação de uma nova variante do vírus mpox em circulação no Reino Unido e na Índia. Segundo comunicado divulgado no sábado, 14, foi confirmado um caso em cada país. Os dois pacientes haviam realizado viagens antes da infecção e não apresentaram sintomas graves.
De acordo com a OMS, a cepa detectada consiste em uma versão recombinante formada pelos Clados 1b e 2b do vírus. A OMS apontou que os dois indivíduos "adoeceram com várias semanas de intervalo, infectados pela mesma cepa recombinante". A informação indica que há possibilidade de outros casos ainda não identificados.
O caso identificado no Reino Unido ocorreu em dezembro de 2025, em um viajante que retornava de um país da região da Ásia-Pacífico. Já na Índia, um paciente que apresentou sintomas em setembro de 2025 foi inicialmente diagnosticado com mpox do Clado 2.
Após atualizações em bancos de dados genômicos globais, o vírus foi reclassificado como pertencente à mesma cepa recombinante detectada no Reino Unido. O registro indiano passou a ser considerado a detecção mais antiga conhecida dessa variante.
“Devido ao pequeno número de casos encontrados até o momento, conclusões sobre a transmissibilidade ou a caracterização clínica da mpox causada por cepas recombinantes seriam prematuras, e continua sendo essencial manter a vigilância em relação a esse desenvolvimento”, afirmou a OMS.
A avaliação de risco da Organização Mundial da Saúde (OMS) permanece inalterada. A entidade classifica o risco como moderado para homens que fazem sexo com homens com parceiros novos e/ou múltiplos, profissionais do sexo e pessoas com múltiplos parceiros sexuais casuais, e como baixo para a população em geral sem fatores específicos de exposição.
A mpox é uma doença viral da mesma família da varíola, erradicada em 1980, com manifestações clínicas geralmente menos graves. Historicamente, duas cepas principais foram identificadas: uma associada à África Central, na região da República Democrática do Congo, chamada de Central African clade ou Clado do Congo, e outra ligada à África Ocidental, especialmente à Nigéria, conhecida como West African clade ou Clado da Nigéria.
No fim de 2022, essas classificações foram atualizadas para Clado 1 e Clado 2, respectivamente. A mudança ocorreu no mesmo processo que substituiu o termo “varíola dos macacos” por mpox. O Clado 2, associado a quadros menos graves, foi responsável pela disseminação internacional registrada em 2022, após uma sublinhagem denominada 2b adquirir capacidade de transmissão por via sexual.
Naquele contexto, a OMS declarou Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional (ESPII). O Brasil esteve entre os países com maior número de casos e foi o primeiro a registrar um óbito fora do continente africano. A sublinhagem 2b segue em circulação global, inclusive no Brasil, com menor intensidade e sem status de emergência sanitária internacional.
Em setembro de 2023, pesquisadores identificaram uma nova variante derivada do Clado 1, associada a quadros clínicos mais graves e estimativas de letalidade que podem chegar a 10%. Essa sublinhagem, denominada 1b, também apresentou indícios de transmissão sexual, ampliando a preocupação das autoridades sanitárias quanto ao seu monitoramento.
(Com informações da agência O Globo)