Moscou vs. Kiev: Putin provoca (de novo) potências globais

Ucrânia inicia hoje lei marcial em resposta a captura de navios do país pela Rússia. Tensão na região foi criticada até por Donald Trump

Uma lei marcial passa a valer nesta quarta-feira na Ucrânia por 60 dias, um período que deve ser de embates com a Rússia. No domingo, forças russas capturaram três embarcações ucranianas e 20 marinheiros que estavam no estreito de Kerch, que liga o mar de Azov ao Mar Negro, em território russo. O caso foi interpretado pelo governo russo como uma “provocação” do governo ucraniano, que respondeu à captura com a aprovação da lei marcial.

Com a nova lei em vigor, o país terá uma autoridade militar no controle do Estado, e poderá mobilizar sua defesa aérea, fortalecer medidas antiterrorismo e de segurança de informação.

Esta decisão não tem precedentes, e foi tomada pelo presidente ucraniano, Petro Poroshenko, sob justificativa do crescente risco de uma ofensiva terrestre russa.”A Rússia tem travado uma guerra híbrida contra nosso país pelo quinto ano. Mas com um ataque à força militar da Ucrânia, [o país] elevou a agressão a um novo nível”, afirmou Poroshenko, na segunda-feira.

Os conflitos na região começaram desde a anexação da Crimeia pela Rússia, em 2014, com o uso de tropas disfarçadas de rebeldes. Desde então, a Rússia reivindica o controle do estreito de Kerch, onde ocorreu o incidente do domingo.

Com o novo episódio, parte da Europa e dos membros da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) voltaram a se posicionar contra a Rússia. Ontem, o secretário-geral da Otan, Jens Stoltenberg, pediu que a Rússia garantisse acesso sem obstáculos aos portos ucranianos, e permitisse a liberdade de navegação na região. “Não há justificativa para uso da força contra os navios ucranianos. Por isso, pedimos que a Rússia solte imediatamente os marinheiros ucranianos e os navios apreendidos”.

A embaixadora dos Estados Unidos na ONU, Nikki Haley, afirmou que a ação russa era “ilegal”, e que tornava “impossível uma relação normal” entre Washington e Moscou. “Não gostamos do que está acontecendo”, disse o presidente americano Donald Trump.

Membros dos governos da Alemanha, Áustria, Polônia e Estônia levantaram a possibilidade da União Europeia impor novas sanções contra a Rússia para penalizar o país por capturar três embarcações ucranianas.

O presidente russo Vladimir Putin já afirmou estar “preocupado” com a lei, e disse que houve, por parte da Ucrânia, uma “grosseira violação das normas de direito internacional por seus navios militares”. Em telefonema à chanceler alemã Angela Merkel, Putin afirmou que a Rússia está disposta a fornecer mais detalhes para comprovar sua versão dos fatos.

Dois dias atrás Putin já havia voltado a atacar rebeldes sírios após um suposto ataque químico. São dois episódios que, às portas do G20, mostram que há muito mais em jogo no xadrez global que a guerra comercial de Trump com a China.

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Moscou vs. Kiev: Putin provoca (de novo) potências globais

Ucrânia inicia hoje lei marcial em resposta a captura de navios do país pela Rússia. Tensão na região foi criticada até por Donald Trump

Uma lei marcial passa a valer nesta quarta-feira na Ucrânia por 60 dias, um período que deve ser de embates com a Rússia. No domingo, forças russas capturaram três embarcações ucranianas e 20 marinheiros que estavam no estreito de Kerch, que liga o mar de Azov ao Mar Negro, em território russo. O caso foi interpretado pelo governo russo como uma “provocação” do governo ucraniano, que respondeu à captura com a aprovação da lei marcial.

Com a nova lei em vigor, o país terá uma autoridade militar no controle do Estado, e poderá mobilizar sua defesa aérea, fortalecer medidas antiterrorismo e de segurança de informação.

Esta decisão não tem precedentes, e foi tomada pelo presidente ucraniano, Petro Poroshenko, sob justificativa do crescente risco de uma ofensiva terrestre russa.”A Rússia tem travado uma guerra híbrida contra nosso país pelo quinto ano. Mas com um ataque à força militar da Ucrânia, [o país] elevou a agressão a um novo nível”, afirmou Poroshenko, na segunda-feira. 

Os conflitos na região começaram desde a anexação da Crimeia pela Rússia, em 2014, com o uso de tropas disfarçadas de rebeldes. Desde então, a Rússia reivindica o controle do estreito de Kerch, onde ocorreu o incidente do domingo. 

Com o novo episódio, parte da Europa e dos membros da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) voltaram a se posicionar contra a Rússia. Ontem, o  secretário-geral da Otan, Jens Stoltenberg, pediu que a Rússia garantisse acesso sem obstáculos aos portos ucranianos, e permitisse a liberdade de navegação na região. “Não há justificativa para uso da força contra os navios ucranianos. Por isso, pedimos que a Rússia solte imediatamente os marinheiros ucranianos e os navios apreendidos”.

A embaixadora dos Estados Unidos na ONU, Nikki Haley, afirmou que a ação russa era “ilegal”, e que tornava “impossível uma relação normal” entre Washington e Moscou. “Não gostamos do que está acontecendo”, disse o presidente americano Donald Trump.

Membros dos governos da Alemanha, Áustria, Polônia e Estônia levantaram a possibilidade da União Europeia impor novas sanções contra a Rússia para penalizar o país por capturar três embarcações ucranianas.

O presidente russo Vladimir Putin já afirmou estar “preocupado” com a lei, e disse que houve, por parte da Ucrânia, uma “grosseira violação das normas de direito internacional por seus navios militares”. Em telefonema à chanceler alemã Angela Merkel, Putin afirmou que a Rússia está disposta a fornecer mais detalhes para comprovar sua versão dos fatos. 

Dois dias atrás Putin já havia voltado a atacar rebeldes sírios após um suposto ataque químico. São dois episódios que, às portas do G20, mostram que há muito mais em jogo no xadrez global que a guerra comercial de Trump com a China.

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