Montanhas mais altas do mundo são muito vulneráveis às mudanças climáticas

Pesquisa aponta que região do Himalaia é vulnerável à elevação da temperatura que perturba o equilíbrio de neve, gelo e água, ameaçando 1,3 bilhão de pessoas

São Paulo - Os resultados da avaliação mais abrangente - até hoje escrita - sobre a região do Himalaia, que abriga os picos mais altos do mundo, incluindo o Monte Everest, indicam que a região é particularmente vulnerável à elevação da temperatura que perturba o equilíbrio de neve, gelo e água, ameaçando 1,3 bilhão de pessoas que vivem ao longo das principais bacias hidrográficas da Ásia.

Segundo David Molden, diretor-geral do Centro Internacional para o Desenvolvimento Integrado das Montanhas (ICIMOD) situado em Kathmandu, "Precisamos conhecer a intensidade da mudança climática nas montanhas, com uma intensidade igual à vontade de mitigar e se adaptar aos impactos”.

As descobertas, publicadas em três relatórios, na ocasião do “Dia da Montanha” são a avaliação mais completa realizada até hoje sobre as mudanças climáticas, a neve e o degelo na região do Himalaia, na Ásia.

"Esses relatórios fornecem uma nova base e informações específicas de localizações para um entendimento sobre a mudança climática em um dos ecossistemas mais vulneráveis ​​do mundo", disse o Dr. Rajendra Pachauri, presidente do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC). "Eles substancialmente aprofundaram nossa compreensão desta região - e de todos os sistemas montanha - ao mesmo tempo, apontaram as lacunas de conhecimento ainda a ser preenchidas e as ações que devem ser tomadas para lidar com o desafio da mudança climática global e para minimizar os riscos de impactos localmente."

As pesquisas também representam os primeiros dados confiáveis sobre o número e a extensão das geleiras e os padrões de precipitação de neve na região mais montanhosa do mundo.

"A região Hindu Kush-Himalaia (HKH) é como um gigante gentil. Enquanto é fisicamente imponente, é uma das áreas ecologicamente mais sensíveis do mundo", disse Molden.

A região oferece meios de subsistência para 210 milhões de pessoas e indiretamente proporciona bens e serviços para o 1,3 bilhão de pessoas que vivem em bacias hidrográficas a jusante e que se beneficiam de alimentos e energia.

Rico em biodiversidade, a região é o lar de 25 mil espécies de plantas e animais, e contém uma diversidade de tipos de floresta maior do que a Amazônia.

A região HKH hospeda 30% das geleiras do mundo, e tem sido chamada como o Terceiro Pólo, mas ainda há poucos dados sobre essas geleiras.

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