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Maduro e esposa comparecem a tribunal federal em Nova York hoje

Casal será levado perante o juiz federal Alvin K. Hellerstein, em Manhattan, às 14h de Brasília

Cilia Flores e Nicolás Maduro: casal foi preso por forças dos EUA durante uma operação no último sábado, 3 (Juan Barreto/AFP)

Cilia Flores e Nicolás Maduro: casal foi preso por forças dos EUA durante uma operação no último sábado, 3 (Juan Barreto/AFP)

Publicado em 5 de janeiro de 2026 às 08h21.

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e sua esposa, a deputada Cilia Flores, participarão nesta segunda-feira, 5, de sua primeira audiência nos Estados Unidos após serem capturados e transferidos para o país, confirmaram fontes judiciais à Agência EFE.

A operação é descrita pela imprensa americana como a maior intervenção dos Estados Unidos na América Latina desde a invasão do Panamá, em 1989.

De acordo com um porta-voz do Tribunal do Distrito Sul de Nova York, ambos serão levados perante o juiz federal Alvin K. Hellerstein em Manhattan às 12h no horário local (14h em Brasília).

Normalmente, em uma primeira audiência, os acusados são levados até o juiz para uma leitura formal de acusações, verificação de identidade e definição de aspectos preliminares do processo, como prisão preventiva e escolha de advogados.

O casal está desde a noite de sábado detido no Centro de Detenção Metropolitano (MDC) do Brooklyn, uma prisão federal de alta segurança. É provável que ambos fiquem em prisão preventiva sem direito a fiança durante o curso do processo judicial.

Quais são as acusações contra Maduro?

No último sábado, o governo americano anunciou a captura do presidente venezuelano em Caracas, em uma operação que incluiu ataques aéreos contra alvos na Venezuela.

Maduro é acusado nos EUA de quatro crimes federais: conspiração para o narcoterrorismo, conspiração para a importação de cocaína, posse de metralhadoras e dispositivos destrutivos, e conspiração para possuir esses mesmos artefatos em apoio a atividades criminosas, bem como colaborar com organizações criminosas classificadas como terroristas por Washington.

As acusações, formuladas em 2020 pela Promotoria do Distrito Sul de Nova York, sustentam que o presidente venezuelano teria liderado durante anos uma rede que utilizava o tráfico de drogas como arma contra os Estados Unidos.

Cilia Flores, por sua vez, enfrenta acusações relacionadas a supostas operações de apoio logístico e financeiro à mesma estrutura criminosa, de acordo com documentos judiciais citados pela imprensa americana.

Ação na Venezuela levou meses de planejamento

A procuradora-geral dos Estados Unidos, Pamela Bondi, divulgou no último domingo, 4, na rede social X, um comunicado conjunto com o Departamento de Justiça, o FBI e a Agência Antidrogas sobre a operação que permitiu a captura de Maduro e sua esposa.

O texto informa que a ação exigiu meses de planejamento e tinha como objetivo “garantir o transporte seguro dos acusados ao país para responder às acusações federais que lhes são imputadas”.

O comunicado ressalta que todos os procedimentos foram realizados “em estrita conformidade com a lei americana” e que a missão apoiou “uma investigação criminal em andamento relacionada ao tráfico de drogas e crimes conexos” que, segundo Washington, “contribuem para a violência e a crise das drogas na região”.

A procuradora-geral acrescentou que “todas as opções legais foram exploradas para resolver a situação de forma pacífica” e atribuiu a responsabilidade pelo desfecho à “persistência na conduta criminosa” dos acusados.

Presidente interina propõe cooperação com EUA

A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, ofereceu-se no último domingo para colaborar com os Estados Unidos em uma agenda voltada ao “desenvolvimento compartilhado”.

Em publicação nas redes sociais, Rodríguez afirmou que o governo venezuelano prioriza uma transição para relações respeitosas com Washington. No sábado, ela havia criticado a operação dos EUA como uma apreensão ilegal de recursos nacionais do país.

“Convidamos o governo dos Estados Unidos a colaborar conosco em uma agenda de cooperação orientada ao desenvolvimento compartilhado, no marco do direito internacional, para fortalecer uma convivência comunitária duradoura”, disse Rodríguez em nota.

“O presidente Donald Trump, nossos povos e nossa região merecem paz e diálogo, não guerra”, acrescentou.

O interesse americano no petróleo da Venezuela

A crise tem como pano de fundo o petróleo. A Venezuela possui as maiores reservas comprovadas do mundo, estimadas em 303 bilhões de barris. Trump afirmou exigir “acesso total” aos recursos naturais do país e disse que grandes petrolíferas americanas investirão bilhões de dólares para reconstruir a indústria venezuelana.

No curto prazo, os mercados reagiram com queda nos contratos futuros do petróleo, diante da incerteza sobre oferta e estabilidade. Analistas avaliam que a produção pode sofrer interrupções iniciais, mas que, no longo prazo, investimentos estrangeiros podem elevar a produção e pressionar os preços internacionais — ainda que esse processo seja lento e custoso.

Atualmente, a produção venezuelana está em torno de 800 mil barris por dia, bem abaixo dos níveis registrados no fim dos anos 1990.

*Com informações de EFE e AFP

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