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Macron diz que Europa deve resistir a acordo UE-Mercosul

Presidente francês alerta contra acordo do Mercosul e critica postura europeia nas guerras comerciais do presidente americano, Donald Trump

O presidente francês, Emmanuel Macron, discursa em coletiva de imprensa após a reunião do Conselho Europeu em Bruxelas. (John Thys/AFP)

O presidente francês, Emmanuel Macron, discursa em coletiva de imprensa após a reunião do Conselho Europeu em Bruxelas. (John Thys/AFP)

Publicado em 10 de fevereiro de 2026 às 11h40.

Em um momento de tensão comercial na União Europeia, o presidente francês, Emmanuel Macron, buscou nesta terça-feira, 10, dar uma mensagem de unificação do bloco para aumentar sua autonomia e segurança econômica, e insistiu na necessidade de proteger os setores econômicos dentro da UE, em vez de o bloco continuar se mostrando aberto e flexível às demandas mundiais.

Em entrevista a diversos jornais, Macron alertou sobre os perigos comerciais que permeiam o bloco, e apontou que a resposta europeia a esses perigos deve mudar.

Na entrevista, mencionou o presidente americano, Donald Trump, a Rússia e até mesmo o acordo de livre comércio com o Mercosul, dizendo que é um "acordo ruim, antigo e mal negociado".

"Eu defendo acordos justos e, portanto, acordos que tenham salvaguardas e que respeitem o clima ao mesmo tempo em que se alcança o que queremos para a economia", disse.

O pacto comercial com o bloco sul-americano foi um alto ponto de tensões na França, com protestos especialmente do agronegócio francês, que teme ter que competir com os bens brasileiros e argentinos, aproveitando acesso privilegiado aos mercados europeus.

'Alívio covarde' dos líderes europeus

Em relação a Trump, Macron menciona uma "espécie de alívio covarde" por parte dos governantes europeus quando se saiu do "pico da crise" das tarifas com o republicano.

"Quando saímos do pico da crise, quando foi negociado um acordo para as tarifas, houve uma espécie de alívio covarde. Mas não acreditem nem por um segundo que isso acabou", advertiu. "Observem o que vai acontecer com as tarifas sobre os produtos farmacêuticos e tudo o que vai acontecer. Todos os dias, todas as semanas, haverá ameaças."

Segundo o presidente francês, "quando há uma agressão manifesta, não devemos nos dobrar nem tentar chegar a um acordo".

"Testamos essa estratégia durante meses e ela não dá resultados. Mas, sobretudo, leva estrategicamente a Europa a aumentar sua dependência", disse.

Em uma semana que será marcada por reuniões dos líderes europeus sobre competitividade e indústria, o presidente francês defendeu a simplificação, o aprofundamento do mercado interno da UE e a diversificação dos acordos comerciais.

Para esse fim, Macron pediu a proteção da indústria europeia sem cair no protecionismo, por meio de uma "preferência europeia" em alguns setores estratégicos como tecnologias limpas, química, aço, automóveis ou defesa. "Em caso contrário, os europeus serão varridos", advertiu.

Sobre a Rússia, Macron afirmou desejar que a retomada do diálogo com o presidente russo, Vladimir Putin, aconteça de maneira coordenada entre os europeus e com um número limitado de interlocutores.

Os contatos diretos com Putin foram praticamente suspensos por causa da guerra na Ucrânia. Para preparar uma retomada do diálogo, Macron enviou no início de fevereiro seu conselheiro diplomático a Moscou.

O presidente francês afirmou que os primeiros contatos técnicos confirmaram que "a Rússia não quer a paz agora", embora tenham permitido reconstruir "canais de diálogo".

Com informações da AFP

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