Líderes mundiais rendem tributo a Chávez

Ele foi homenageado, entre outros, por Irã e Rússia, dois dos seus principais aliados, e saudado pela China como um grande amigo

Paris - A comunidade internacional seguia reagindo, nesta quarta-feira, à morte, na véspera, do presidente venezuelano, Hugo Chávez, homenageado, entre outros, pelo Brasil e por seus demais vizinhos latino-americanos, além de Irã e Rússia, dois dos principais aliados do líder bolivariano.

"Reconhecemos um grande líder, uma perda irreparável, especialmente de um amigo do Brasil", disse na noite de terça-feira a presidente Dilma Rousseff, ao pedir um minuto de silêncio durante um ato com líderes rurais em Brasília.

"O presidente Chávez deixará no coração da história e nas lutas da América Latina um vazio", destacou Dilma, que tinha "um grande carinho" pelo comandante.

Já o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou ter recebido "com muita tristeza" a notícia da morte de Chávez, um líder que trabalhou "por um mundo mais justo".

"Foi com muita tristeza que recebi a notícia do falecimento do presidente Hugo Chávez. Sinto orgulho por ter convivido e trabalhado com ele pela integração da América Latina e por um mundo mais justo", declarou Lula.

"Eu me solidarizo com o povo venezuelano, com os familiares e os correligionários de Chávez, neste dia tão triste, mas tenho a confiança de que seu exemplo de amor à pátria e sua dedicação à causa dos menos favorecidos continuarão iluminando o futuro da Venezuela", afirmou o ex-presidente em nota.

A Argentina se pronunciou na terça-feira através de seu vice-presidente, Amado Boudou, que expressou no Twitter a "grande dor de toda a toda América" pela morte de Chávez.


"Há grande dor em toda a América. Partiu um dos melhores. Até sempre, Comandante: Junto a Néstor (Kirchner, presidente argentino falecido) nos guiarão à vitória dos povos!", escreveu o vice de Cristina Kirchner.

A presidente Cristina Kirchner, assim como os líderes da Bolívia, Evo Morales, e do Uruguai, José Mujica, chegaram na manhã desta quarta-feira à Venezuela para participar das cerimônias de velório e de homenagem a Chávez, que têm início ainda nesta quarta-feira.

Já o presidente do Chile, Sebastián Piñera, também viajará à Venezuela para participar do funeral do líder bolivariano, segundo informações da presidência chilena, que não informou a data exata de sua viagem.

A morte do dirigente venezuelano também foi lamentada pelo presidente do México, Enrique Peña Nieto, que enviou suas condolências à família e ao povo venezuelano.

"Lamento o falecimento do Presidente Hugo Chávez. Minhas mais sentidas condolências a sua família e ao povo venezolano", declarou Peña Nieto em um post no Twitter.

Líderes de demais países latino-americanos, como Equador, Uruguai, Bolívia e Colômbia também lamentaram o falecimento de Chávez, parceiro de longa data.

em um telegrama, o presidente russo, Vladimir Putin, enviou suas condolências.


"Era um homem fora do comum e forte, que olhava para o futuro e que sempre foi extremamente exigente consigo mesmo", declarou.

Putin pediu a Caracas que siga "reforçando e desenvolvendo as relações entre Rússia e Venezuela", que assinaram vários acordos energéticos e de armamento desde 2005.

De Teerã, o presidente iraniano, Mahmud Ahmadinejad, disse que Chávez foi "um mártir por ter servido seu povo e protegido os valores humanos e revolucionários".

Além disso, afirmou que o presidente venezuelano morreu "de uma doença suspeita", dando crédito, aparentemente, ao vice-presidente Nicolás Maduro, que também na terça-feira acusou os inimigos do país de terem provocado o câncer de Chávez.

Chávez, principal aliado regional de Teerã, fez 13 visitas ao Irã durante seus 14 anos de poder. Ahmadinejad viajou seis vezes à Venezuela desde que assumiu o poder, em 2005.

A União Europeia também recebeu com pesar a morte de Chávez e disse esperar aprofundar as relações com a Venezuela. "Esperando aprofundar nossas relações no futuro, transmitimos ao povo e ao governo venezuelanos nossos sinceros pêsames", afirmou a carta do presidente do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy, e da Comissão Europeia, José Manuel Barroso.

Antes da declaração comum europeia, o Reino Unido havia afirmado que o presidente venezuelano deixou uma marca profunda em seu povo e mais além, reconheceu o ministro das Relações Exteriores, William Hague.

Já o presidente francês, François Hollande, reconheceu que Chávez expressava, "para além de seu temperamento e de suas orientações que nem todos compartilhavam, uma vontade inegável de lutar em prol da justiça e do desenvolvimento".

A Alemanha, no entanto, disse esperar a abertura de uma nova etapa no país sul-americano, que possui as maiores reservas de petróleo do mundo.


"Espero que a Venezuela volte a avançar depois destes dias de luto", destacou o chanceler alemão, Guido Westerwelle. "A Venezuela tem um forte potencial e a democracia e a liberdade são bons meios para concretizar este potencial", acrescentou.

O governo sírio também rendeu tributo a Chávez, um dos poucos líderes do mundo que apoiou Bashar al-Assad diante do levante que se transformou em rebelião armada.

"Chávez sempre apoiou os direitos legítimos árabes; também diante do complô contra a Síria", indicou a agência oficial síria Sana. O falecido líder "expressou em diversas ocasiões sua solidariedade com a dirigência e com o povo sírios diante do ataque imperialista selvagem", acrescentou.

Por sua vez, a China, com quem Chávez estreitou as relações comerciais, afirmou que o falecido presidente era "um grande líder da Venezuela e um grande amigo do povo chinês".

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, elogiou Chávez por enfrentar "os desafios e aspirações dos venezuelanos mais vulneráveis".

Já o presidente americano, Barack Obama, afirmou de forma sucinta que seu país apoia os venezuelanos diante do novo capítulo que se abre para eles após a morte de Chávez e reiterou que seu governo tem interesse em "desenvolver uma relação construtiva" com Caracas após anos de tirania.

Congressistas democratas e republicanos americanos também se pronunciaram, demonstrando que acreditam que a morte de Chávez é uma oportunidade de mudança para o país e para as relações bilaterais.


Os congressistas hispânicos, em particular os cubano-americanos, manifestaram, em sua maioria, satisfação pela notícia.

O republicano Marco Rubio, senador pelo estado da Flórida, declarou: "o povo venezuelano tem agora uma oportunidade de virar a página de um dos períodos mais negros de sua história".

"Hugo Chávez governou a Venezuela com mão de ferro e sua morte deixou um vazio político que esperamos que seja preenchido de forma pacífica e através de um processo constitucional e democrático", declarou o presidente da comissão de Relações Exteriores do Senado, o democrata Robert Menéndez.

"Hugo Chávez era um líder que entendia as necessidades dos pobres", declarou o congressista democrata José Serrano, do estado de Nova York, onde a empresa petroleira venezuelana Citgo distribui combustível para os mais pobres durante o inverno.

Chávez faleceu na terça-feira aos 58 anos em Caracas, vítima de um câncer diagnosticado em meados de 2011.

*Matéria atualizada às 12h23

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