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Libéria vai às urnas em busca da consolidação democrática

Vencedora do Nobel da Paz deste ano, Ellen Johnson-Sirleaf tenta continuar no comando do país

Ellen Johnson Sirleaf tentará um segundo mandato nas eleições (Issouf Sanogo/AFP)

Ellen Johnson Sirleaf tentará um segundo mandato nas eleições (Issouf Sanogo/AFP)

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Da Redação

Publicado em 10 de outubro de 2011 às 17h29.

Monróvia, Libéria - Cerca de 2,5 milhões de eleitores liberianos registrados nos colégios de votação irão às urnas nesta terça-feira pela consolidação da frágil democracia do país e escolherão se renovam ou não o mandato da nova Prêmio Nobel da Paz 2011, a atual presidente, Ellen Johnson-Sirleaf.

Ao término de uma tensa campanha eleitoral, concluída neste domingo, a Comissão Eleitoral Nacional (CEN) anunciou que todos os materiais necessários para o pleito presidencial e legislativo estão prontos nas 19 circunscrições deste pequeno país de África Ocidental.

'As 2,5 milhões de cédulas (para as eleições desta terça-feira) já foram distribuídas nos 1.780 colégios eleitorais', destacou a CEN em comunicado divulgado nesta segunda-feira.

As 4.457 urnas distribuídas nesses recintos abrirão às 8h locais (5h de Brasília) e fecharão às 18h (15h de Brasília). 'A apuração dos votos começará nos mesmos colégios eleitorais imediatamente após o fechamento das urnas', assinalou a CEN, que espera anunciar os resultados definitivos ao longo da semana.

Embora o órgão eleitoral liberiano não tenha detalhado números, a CEN apontou que agentes da Polícia, do Departamento de Imigração e da Missão das Nações Unidas na Libéria (UNMIL) estarão presentes em todas as circunscrições.

De fato, no dia 16 de setembro, o Conselho de Segurança da ONU ampliou por um ano mais o mandato da UNMIL, que conta com mais de 9 mil soldados, já que consideraram que a missão pode exercer um papel importante, em matéria de segurança, para as eleições.

Segundo a CEN, haverá quase 900 observadores internacionais de 36 organizações diferentes, pelos quase 4,4 mil locais, que se encarregarão de fazer um acompanhamento da jornada eleitoral.

As pesquisas independentes publicadas até o momento mostram uma acirrada disputa entre a atual presidente, Johnson-Sirleaf, candidata do Partido da Unidade (UP), e o líder do Congresso para a Mudança Democrática (CDC), Winston Tubman, sobrinho do ex-presidente William Tubman.


A entrega do Prêmio Nobel da Paz a Sirleaf, primeira mulher a chegar à Chefia de Estado na África, apenas quatro dias antes das eleições na Libéria foi classificada pelos opositores como 'manobra da comunidade internacional' para beneficiá-la.

A abertura e o encerramento da campanha eleitoral desses dois partidos mobilizaram milhares de liberianos na capital, Monróvia, onde chegou a haver alguns momentos de tensão.

Ao início da campanha, a rivalidade entre os diversos partidos políticos aumentou a o ponto de a Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental (Cedeao) teve de intervir para apaziguar os ânimos.

O chefe da missão de observadores da Cedeao, James Victor Gbeho, assinalou que 'essas eleições constituem um autêntico exame para aprofundar em matéria democrática e conseguir a reconciliação nacional', em um país que sofreu até 2003 uma devastadora guerra civil de 14 anos.

Gbeho fez nesta segunda-feira um apelo aos liberianos para que demonstrem nesta terça 'um alto senso de responsabilidade e de patriotismo' para desenvolver uma jornada eleitoral 'pacífica, livre, limpa, crível e transparente'.

Nesse sentido, o responsável dos 150 observadores que a Cedeao desdobrou na Libéria disse que 'a violência e a fraude eleitoral só servirão para pôr em perigo a democracia, e não servirão ao interesse geral nem ao bem-estar da Libéria e da região'.

Apesar da tendência bipartidária mostrada pelas pesquisas de opinião entre o UP de Sirleaf e o CDC de Tubman, Gbeho desejou que o processo eleitoral servisse para garantir a igualdade de cada um dos 16 candidatos à Presidência. EFE

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