Repórter
Publicado em 12 de janeiro de 2026 às 09h56.
Um navio de pesquisa do Japão iniciou nesta segunda-feira, 12, uma missão para tentar extrair elementos de terras raras a cerca de 6.000 metros de profundidade no oceano Pacífico, em uma estratégia para reduzir a dependência do país em relação à China.
O navio de perfuração científica Chikyu deixou o porto de Shimizu por volta das 9h (21h de domingo, no horário de Brasília) com destino à ilha remota de Minami Torishima, área que pode concentrar grandes volumes de minerais estratégicos.
A operação começa em um momento de aumento das tensões diplomáticas entre Tóquio e Pequim. A China, maior fornecedora global de terras raras, intensificou a pressão sobre o Japão após a primeira-ministra Sanae Takaichi afirmar, em novembro, que o país poderia responder militarmente a um eventual ataque chinês a Taiwan.
Pequim considera Taiwan parte de seu território e afirma que pretende retomar o controle da ilha, inclusive pela força, se necessário.
A China também tem usado seu domínio sobre a produção de terras raras como instrumento de influência geopolítica, inclusive no contexto da guerra comercial com o governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Segundo Shoichi Ishii, diretor de um programa do governo japonês, a missão do Chikyu pode abrir caminho para a produção doméstica de terras raras.
“Estamos considerando diversificar nossas fontes de fornecimento para evitar a dependência excessiva de países específicos”, disse ele a repórteres no porto, pouco antes da partida do navio.
Os elementos de terras raras — um grupo de 17 metais de difícil extração — são essenciais para setores estratégicos, como veículos elétricos, turbinas eólicas, discos rígidos, armamentos e mísseis.
De acordo com a Agência Japonesa de Ciência e Tecnologia Marítima-Terrestre, esta é a primeira missão no mundo voltada à exploração de minerais em profundidades dessa magnitude.
“Se o Japão conseguir extrair elementos de terras raras de forma constante ao redor de Minami Torishima, garantirá a cadeia de suprimentos para indústrias-chave”, afirmou Takahiro Kamisuna, pesquisador do Instituto Internacional de Estudos Estratégicos, à AFP.
“Também será um recurso estratégico fundamental para o governo Takaichi reduzir significativamente sua dependência de suprimentos da China”, acrescentou.
Segundo veículos da mídia internacional, a China adiou importações japonesas e exportações de terras raras ao Japão como parte da disputa entre os dois países.
*Com informações da AFP