Mundo

Islamitas egípcios apresentam iniciativa de trégua

Pelo plano, os islamitas deixariam de realizar protestos se o governo parar com a repressão

Apoiadores da Irmandade Muçulmana oram durante protesto em Cairo, no Egito (Muhammad Hamed/Reuters)

Apoiadores da Irmandade Muçulmana oram durante protesto em Cairo, no Egito (Muhammad Hamed/Reuters)

DR

Da Redação

Publicado em 26 de agosto de 2013 às 18h25.

Cairo - Os principais líderes de dois ex-grupos militantes do Egito apresentaram uma iniciativa para encerrar o derramamento de sangue no país. Pelo plano, os islamitas deixariam de realizar protestos se o governo parar com a repressão. A proposta salienta como o forte movimento islamita está agora se curvando às sanções severas sem precedentes de autoridades de segurança do país.

A iniciativa, anunciada pelos líderes dos movimentos Gamaa Islamiya e Jihad Islâmica, que participaram da insurgência na década de 1990, tem como objetivo levar os militares e a Irmandade Muçulmana ao diálogo.

O líder do Jihad, Mohammed Abu Samra, disse à Associated Press nesta segunda-feira que as negociações não tem precondições. Anteriormente, os islamitas haviam insistido que o presidente Mohammed Morsi deveria voltar ao cargo como ponto de início das negociações.

A proposta surge após o exército ter detido líderes da Irmandade Muçulmana e outros islamitas na maior onda de violência ocorrida no país e que se seguiu ao massacre na tentativa de desmantelar dois campos de manifestantes que pediam a reintegração do presidente deposto, primeiro líder eleito livremente no Egito.

Críticos disseram que a proposta de trégua reflete o golpe sofrido pela aliança islamita liderada pela Irmandade, cujo principais líderes estão presos ou tiveram de fugir.

"Eles querem diminuir a pressão sobre seus grupos e salvar o barco da Irmandade Muçulmana que está afundando no momento", afirmou o jornalista e analista Makram Mohammed Ahmed. "Estão todos procurando uma saída, mas agora é tarde."

No último sábado, o primeiro-ministro interino do Egito, Hazem el-Beblawi, disse que as medidas de segurança não serão suficientes sozinhas e que o Egito trabalhar a transição democrática por meio da reconciliação.

A violência no Egito está afetando uma de suas maiores fontes de renda, o turismo. O diretor dos Aeroportos Egípcios, Gad el-Karim Nasr, afirmou nesta segunda-feira que os voos estão chegando vazios ao país e que o tráfego de passageiros nas últimas semanas caiu pela metade. Nasr disse que essa queda no número de passageiros deve aumentar no próximo mês após companhias aéreas terem cancelado voos. O diretor não revelou nome das empresas.

Acompanhe tudo sobre:ProtestosProtestos no mundoÁfricaReligiãoEgitoIslamismoPrimavera árabeIrmandade Muçulmana

Mais de Mundo

Secretário de Trump diz que Brasil 'não é um país amigável' aos EUA e faz comparação com Cuba

'Jovem inteligente que ama seu país', diz Trump sobre encontro com Flávio Bolsonaro

ONU elege diplomata de Bangladesh para presidir Assembleia Geral

EUA têm outra investigação sobre o Brasil que poderá resultar em mais tarifas