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Irã teste novo míssil de longo alcance em meio a tensões com os EUA

Teste do Sayyad-3G ocorreu no Estreito de Ormuz durante exercícios da Guarda Revolucionária, em meio à retomada das negociações nucleares com os EUA

Irã: o sistema seria capaz de interceptar caças, drones de grande altitude, aeronaves de patrulha marítima, aviões de apoio e determinados mísseis de cruzeiro (Lisi Niesner/Reuters)

Irã: o sistema seria capaz de interceptar caças, drones de grande altitude, aeronaves de patrulha marítima, aviões de apoio e determinados mísseis de cruzeiro (Lisi Niesner/Reuters)

André Martins
André Martins

Repórter de Brasil e Economia

Publicado em 21 de fevereiro de 2026 às 11h20.

O Irã testou um novo míssil naval de defesa aérea de longo alcance, denominado Sayyad-3G, durante exercícios no Estreito de Ormuz, em meio à escalada de tensões com os Estados Unidos A informação foi divulgada pela imprensa iraniana neste sábado, 21,

O lançamento ocorreu a partir do navio de guerra Shahid Sayyad Shirazi, no âmbito das manobras “Controle Inteligente do Estreito de Ormuz”, realizadas na segunda e terça-feira pela Marinha da Guarda Revolucionária. A agência estatal “Mehr” relatou os detalhes do exercício.

Segundo autoridades iranianas, o Sayyad-3G tem alcance de até 150 quilômetros e permite a criação de um “perímetro defensivo” aéreo ao redor da embarcação.

O sistema seria capaz de interceptar caças, drones de grande altitude, aeronaves de patrulha marítima, aviões de apoio e determinados mísseis de cruzeiro.

As manobras ocorreram em uma das principais rotas energéticas do mundo, o Estreito de Ormuz, em um momento de pressão diplomática renovada.

O anúncio do teste veio após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmar na sexta-feira que avalia ataques limitados contra o Irã para pressionar por um acordo nuclear que inclua restrições ao programa de mísseis balísticos — ponto rejeitado por Teerã.

Segundo a mídia iraniana, o sistema utiliza lançadores verticais (vertical launch system, VLS), que oferecem cobertura de 360 graus sem necessidade de reorientação do armamento, reduzem o tempo de reação e permitem disparos consecutivos diante de múltiplas ameaças.

Trump mencionou um prazo de 10 a 15 dias para a assinatura de um pacto, após rodadas de negociações indiretas mediadas por Omã, realizadas em Mascate e Genebra nos dias 6 e 17 de fevereiro.

Em Genebra, Teerã afirmou ter alcançado consenso sobre “princípios fundamentais” de um acordo, enquanto Washington reconheceu avanços, mas disse que os iranianos ainda não aceitam as linhas vermelhas impostas pela Casa Branca.

O ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araqchi, declarou à emissora “MSNBC” que apresentará um rascunho de possível acordo nos próximos dias. Ele advertiu que, se os EUA adotarem “a linguagem da força”, o Irã responderá na mesma linha.

Presença militar dos EUA aumenta na região

Veículos como “CNN” e “The New York Times” informaram nesta semana que as Forças Armadas dos Estados Unidos estariam prontas para um ataque iminente, aguardando apenas autorização presidencial de Donald Trump. 

Os EUA ampliaram o destacamento militar no Oriente Médio, no que é descrito como o maior movimento desde a guerra do Iraque, em 2003. O porta-aviões USS Abraham Lincoln já opera na região, enquanto o USS Gerald R. Ford se desloca para a área com seu grupo de ataque.

No ano passado, durante a guerra de 12 dias entre Irã e Israel, os Estados Unidos bombardearam três das principais instalações nucleares iranianas. O teste do Sayyad-3G ocorre nesse ambiente de instabilidade diplomática e militar.

Com informações da Agência EFE.

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