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Incêndio em Hong Kong deixa 75 mortos e 279 desaparecidos

Fogo atingiu sete torres do Wang Fuk Court e avançou por andaimes de bambu

Hong Kong: fogo em conjunto habitacional expõe riscos nos andaimes de bambu. (Daniel Ceng/Anadolu via Getty Images)

Hong Kong: fogo em conjunto habitacional expõe riscos nos andaimes de bambu. (Daniel Ceng/Anadolu via Getty Images)

Publicado em 27 de novembro de 2025 às 07h36.

Última atualização em 27 de novembro de 2025 às 12h57.

Pelo menos 75 pessoas morreram e outras 76 foram hospitalizadas — 16 em estado crítico e 25 em condição grave — após um incêndio atingir sete edifícios de um complexo residencial no distrito de Tai Po, no norte de Hong Kong. As autoridades também relataram 279 desaparecidos. É o pior incêndio desse tipo registrado na cidade em três décadas.

As chamas começaram na tarde de quarta-feira, 24, e devastaram sete dos oito blocos de 31 andares que compõem o Wang Fuk Court. O fogo se propagou rapidamente pelos andaimes de bambu recobertos com lonas de segurança e placas de poliestireno expandido utilizadas na reforma externa iniciada em julho de 2024.

Em 43 minutos, o Departamento de Bombeiros elevou o alarme de nível 1 para 4 e, quatro horas depois, para o nível 5 — o mais alto da escala local, acionado apenas duas vezes na história recente. As autoridades classificaram como “inusual” a velocidade de propagação das chamas e confirmaram o uso de materiais altamente inflamáveis.

Operação de resgate e mobilização em grande escala

Até o início da manhã, os incêndios estavam controlados em quatro torres, enquanto três ainda tinham focos sob monitoramento. A operação mobilizou 1.250 bombeiros, 304 veículos de emergência, 26 equipes especializadas e quatro drones para vigilância aérea. Equipes avançavam andar por andar entre destroços e andaimes instáveis.

A fumaça densa reduziu a visibilidade e sobrecarregou linhas diretas de emergência. Moradores relataram pedidos de socorro vindos de telhados e corredores, incluindo idosos, bebês e animais presos por horas. Ao menos 62 pessoas continuam presas em diferentes blocos.

Centenas de moradores foram deslocados para abrigos temporários, como a escola CCC Fung Leung Kit e centros comunitários abertos pela administração distrital de Tai Po.

Prisões e investigação sobre materiais usados

A polícia prendeu dois diretores e um consultor de engenharia da empreiteira responsável pela obra, acusados de homicídio culposo. Segundo o governo, o uso de isopor altamente inflamável e a presença de materiais de poliestireno expandido foram determinantes para a rápida expansão das chamas pelos andaimes de bambu. A empreiteira está sob investigação por irregularidades no contrato de reforma, estimado em HK$ 330 milhões (cerca de R$ 226 milhões).

Agentes realizaram buscas na sede da administradora do condomínio e na residência de um dos suspeitos. Um órgão anticorrupção também abriu investigação sobre o contrato.

Reação do governo e impacto público

O chefe do Executivo de Hong Kong, John Lee, classificou o episódio como uma “catástrofe maciça”, suspendeu todos os atos de campanha para as eleições legislativas de 7 de dezembro e admitiu a possibilidade de adiar o pleito.

Em reunião interdepartamental, Lee ordenou inspeções imediatas em todas as urbanizações em obras para verificar a segurança dos andaimes e materiais utilizados.

Empresas anunciaram apoio às famílias afetadas. A Fundação Jack Ma, Alibaba e Ant Group destinaram 60 milhões de dólares de Hong Kong (pouco mais de R$ 40 milhões). BYD, NetEase, Trip.com, ByteDance e Didi contribuíram com 10 milhões de dólares de Hong Kong cada (cerca de R$ 6,8 milhões).

O número de vítimas ainda pode aumentar conforme as equipes acessam áreas bloqueadas pelos destroços.

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