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Honduras: deputados governistas aprovam realização de nova apuração das eleições

A votação ocorreu após a entrada de mais de 70 parlamentares da oposição ser impedida, segundo denúncias feitas pelos próprios opositores

Publicado em 9 de janeiro de 2026 às 11h31.

Deputados do governista Partido Liberdade e Refundação (Libre) aprovaram, nesta sexta-feira, 9, uma iniciativa do presidente do Parlamento, Luis Redondo, para a realização de uma nova apuração de 100% das atas das eleições gerais realizadas em 30 de novembro de 2025.

A medida foi aprovada em uma sessão formada por deputados titulares e suplentes, em sua maioria do Libre. A votação ocorreu após a entrada de mais de 70 parlamentares da oposição ser impedida, segundo denúncias feitas pelos próprios opositores, ligados principalmente aos partidos Nacional e Liberal.

Redondo havia convocado, na quarta-feira, uma sessão do plenário, que não se reunia desde o fim de agosto do ano passado. Em outubro, ele instalou uma Comissão Permanente do Poder Legislativo composta por apenas nove deputados do Libre.

Em reação, mais de 70 deputados, de um total de 128 que integram o Parlamento, instalaram o plenário fora da sede oficial do Legislativo. O grupo declarou nulos todos os atos aprovados pela Comissão Permanente.

Revisão das atas

O presidente do Parlamento hondurenho, Luis Redondo, propôs que o Conselho Nacional Eleitoral (CNE) realize uma nova apuração de 100% das atas de encerramento das juntas receptoras de votos nos três níveis eletivos, presidente, deputados e prefeitos. A iniciativa foi apresentada apesar de o órgão eleitoral ter declarado, em 24 de dezembro, Nasry “Tito” Asfura, do conservador Partido Nacional, como presidente eleito.

Em 31 de dezembro, o CNE divulgou o relatório final das eleições gerais de 2025, restando pendentes apenas os resultados para prefeitos e deputados. Parte das 2.792 atas eleitorais que apresentavam inconsistências não pôde ser apurada e foi encaminhada ao Tribunal de Justiça Eleitoral (TJE), com o objetivo de evitar novos atrasos na contagem.

O processo eleitoral foi marcado por múltiplos problemas técnicos e administrativos, além de conflitos internos entre os três conselheiros do CNE, que representam os partidos Nacional, Liberal e Libre. O TJE tem até o dia 20 de janeiro para emitir seu veredicto sobre as atas pendentes.

A proposta de Redondo foi aprovada após a apresentação de um “relatório de análise” elaborado por uma comissão especial da Comissão Permanente “sobre a situação jurídico-eleitoral de Honduras após as eleições gerais de 2025”.

Na iniciativa, Redondo, militante do Libre que não foi reeleito deputado. solicitou “que a comissão especial de investigação se apresente ao Ministério Público para exigir que seja atribuída responsabilidade criminal ao Conselho Nacional Eleitoral por não ter realizado a apuração geral no total das atas de cada junta receptora de votos nos três níveis eletivos”.

“Não podemos permitir o roubo das eleições por meio de uma monumental fraude eleitoral em que se violou o direito ao livre sufrágio, ingerência estrangeira (do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump) e corrupção (...). Da mesma forma, faremos uso de todos os instrumentos jurídicos estabelecidos pela lei e pela Constituição da República, bem como dos tratados internacionais, para exercer ações perante a CIDH (Comissão Interamericana de Direitos Humanos) para defender a democracia e a soberania”, afirmou Redondo.

O presidente do Parlamento ressaltou ainda que o plenário “não está pedindo a anulação das eleições”, mas apenas que todas as atas eleitorais sejam contadas.

Oposição questiona

Líderes da oposição e juristas consideram que a iniciativa de Redondo aprovada hoje não tem fundamento, porque o CNE já divulgou os resultados das eleições gerais. Agora, o que falta é a instalação da nova mesa diretora do Parlamento, em 25 de janeiro, e a posse de Asfura, no dia 27.

Antes da instalação da sessão dos deputados governistas, a parlamentar Gladys Aurora López, do Partido Nacional, foi atingida por um artefato explosivo lançado por um homem de uma rua em direção à parte traseira do Parlamento.

López, que sofreu lesões na cabeça e nas costas, estava com outros correligionários em frente a um elevador do edifício principal do Parlamento.

A deputada López está fora de perigo e recebeu alta na noite de quinta-feira em um hospital particular onde foi atendida pelos ferimentos causados pelo explosivo, segundo fontes próximas a ela.

*Com informações da EFE

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