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Governo dos EUA anuncia plano para Venezuela com três fases e inclui transição de poder

Segundo Marco Rubio, secretário de Estado, as medidas visam garantir a estabilidade do país após a prisão de Nicolás Maduro

Mateus Omena
Mateus Omena

Repórter

Publicado em 7 de janeiro de 2026 às 14h35.

Última atualização em 7 de janeiro de 2026 às 14h55.

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O governo dos Estados Unidos anunciou nesta quarta-feira, 7, um plano de três etapas para a Venezuela, apresentado pelo secretário de Estado Marco Rubio, que deverá ser implementado após a prisão do líder venezuelano, Nicolás Maduro, por forças americanas no último sábado.

Maduro e e sua esposa, Cilia Flores, foram capturados em uma operação militar de grande escala que incluiu bombardeios em Caracas e em regiões estratégicas do país. A ação, confirmada pelo presidente americano Donald Trump, levou o chavista para uma prisão nos Estados Unidos sob acusações de narcoterrorismo e abriu uma crise sem precedentes recentes na América do Sul.

Estabilidade da Venezuela

Marco Rubio declarou que a primeira fase será dedicada à estabilização do país, com o objetivo de evitar um colapso político ou social diante da mudança de poder. A intenção, segundo ele, é impedir que a Venezuela entre em situação de caos.

"O primeiro passo é a estabilização do país. Não queremos que ele desemboque em caos", declarou o secretário de Trump.

Por outro lado, Rubio enfatizou que esse processo também contará com a apreensão de petroleiros.

"Eles têm óleo que está preso na Venezuela. Eles não podem movê-lo devido à nossa quarentena e porque está sancionado. Nós vamos tomar entre 30 e 50 milhões de barras de óleo. Nós vamos vendê-lo no mercado, nas taxas de mercado, não nos descontos que a Venezuela estava recebendo".

E acrescentou: "Esse dinheiro será, então, tratado de uma forma que nós vamos controlar como é distribuído, de uma forma que beneficie as pessoas venezuelas, não a corrupção, não o regime."

Recuperação da economia

A segunda etapa prevê a recuperação econômica. Nessa fase, o governo dos Estados Unidos buscará garantir que empresas americanas, ocidentais e de outras origens tenham acesso justo ao mercado venezuelano.

Ao mesmo tempo, será iniciado um processo de reconciliação nacional, com anistia a opositores, libertação de presos políticos e retorno de exilados, além da reconstrução da sociedade civil.

Transição política

A terceira e última fase será voltada à transição política, com a formação de novas estruturas institucionais e a substituição do atual regime por um novo governo.

Desde que Nicolás Maduro foi capturado pelos Estados Unidos, o comando do governo venezuelano passou a ser exercido por sua vice, Delcy Rodríguez, uma das figuras centrais do chavismo, que se tornou presidente interina do país.

Entenda a invasão dos EUA à Venezuela

Os Estados Unidos invadiram a Venezuela na madrugada deste sábado, 3, e capturaram o presidente Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, em uma operação militar de grande escala que incluiu bombardeios em Caracas e em regiões estratégicas do país.

A ação, confirmada pelo presidente americano Donald Trump, levou o líder chavista para uma prisão nos Estados Unidos sob acusações de narcoterrorismo e abriu uma crise sem precedentes recentes na América do Sul, com impactos diretos sobre a soberania venezuelana, o equilíbrio regional, o mercado global de petróleo e a arquitetura de segurança internacional.

Os Estados Unidos afirmam ter realizado um ataque em larga escala contra a Venezuela, com bombardeios em Caracas e em estados estratégicos como Miranda, La Guaira e Aragua. Segundo Washington, a ofensiva derrubou sistemas de energia e alvos militares antes da captura de Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores.

Maduro foi capturando antes de entrar em um bunker, retirado do país e levado para os Estados Unidos, onde está preso no Metropolitan Detention Center, no Brooklyn. Ele é acusado de narcoterrorismo e tráfico internacional de cocaína e deverá responder a processos em tribunais de Nova York. Autoridades venezuelanas afirmam que integrantes da equipe de segurança presidencial foram mortos durante a operação.

A ação foi conduzida, segundo a imprensa americana, por militares da Delta Force, unidade de elite do Exército dos EUA.

Após a operação, Trump apresentou o que chamou de “Doutrina Donroe”, em referência direta à Doutrina Monroe, ao afirmar que o hemisfério ocidental estaria sob responsabilidade de Washington. O presidente dos EUA disse que a ofensiva representa uma nova estratégia de intervenção regional e afirmou que novas ações militares não estão descartadas.

Trump declarou que as Forças Armadas americanas permanecem prontas para um segundo ataque caso o novo comando venezuelano “não se comporte”. O presidente também fez advertências diretas a Colômbia e México, sugerindo que ambos enfrentam problemas ligados ao narcotráfico e poderiam ser alvo de iniciativas semelhantes.

(Com informações da AFP)

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