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EUA apreendem navios petroleiros ligados à Venezuela – um deles com bandeira russa

Casa Branca articula novos acordos comerciais enquanto impõe cerco a ativos energéticos da Venezuela

Mateus Omena
Mateus Omena

Repórter

Publicado em 7 de janeiro de 2026 às 21h22.

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Os Estados Unidos apreenderam dois petroleiros vinculados à Venezuela no Oceano Atlântico na quarta-feira, 6. A ação integra o esforço do governo de Donald Trump para controlar o fluxo de petróleo nas Américas e impor restrições a Caracas. Um dos navios apreendidos navegava com uma bandeira da Rússia, informou a agência Reuters.

A ofensiva ocorre após a prisão do líder venezuelano Nicolás Maduro, no fim de semana, em Caracas, durante uma operação militar dos EUA. Segundo autoridades americanas, as ações visam reforçar o bloqueio a embarcações sancionadas que operam em rotas de ou para a Venezuela, país membro da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep).

A Guarda Costeira dos EUA e forças especiais militares interceptaram o navio Marinera, anteriormente chamado Bella-1, após semanas de perseguição no Atlântico. O petroleiro havia mudado recentemente para a bandeira russa e se recusado a ser abordado no mês anterior. A operação contou com apoio da Força Aérea Real Britânica. Navios e um submarino da Rússia estavam nas proximidades durante a abordagem. O Kremlin não comentou o episódio, que ocorreu em meio a feriado nacional no país.

“Era um petroleiro russo falso”, declarou o vice-presidente dos EUA, JD Vance, em entrevista à emissora Fox News. “Eles basicamente tentaram se passar por um petroleiro russo em um esforço para evitar o regime de sanções.”

Na mesma manhã, a Guarda Costeira interceptou o M Sophia, navio de bandeira panamenha carregado com petróleo venezuelano. De acordo com registros da estatal PDVSA, esta foi a quarta apreensão semelhante em poucas semanas. Ambos os navios são apontados pelos EUA como parte de uma "frota paralela" usada para transportar petróleo de Venezuela e Irã.

Segundo o governo norte-americano, apenas transporte marítimo em conformidade com suas leis e interesses de segurança nacional será permitido. “Há um potencial econômico ilimitado para o setor energético venezuelano por meio de canais comerciais legítimos e autorizados estabelecidos pelos Estados Unidos”, disse Stephen Miller, chefe de gabinete adjunto da Casa Branca.

A procuradora-geral Pam Bondi afirmou que a tripulação do Marinera tentou evitar a abordagem da Guarda Costeira e enfrentará acusações criminais.

Em paralelo, a China criticou as ações dos EUA. “O uso descarado da força pelos Estados Unidos contra a Venezuela e sua exigência de 'América Primeiro' quando a Venezuela se desfaz de seus próprios recursos petrolíferos são atos típicos de bullying”, disse Mao Ning, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês.

Donald Trump, que anunciou a prisão de Maduro como parte de sua política de pressão contra adversários internacionais, declarou que os lucros dos novos acordos com a Venezuela serão usados para aquisição de produtos dos EUA. “Em outras palavras, a Venezuela está se comprometendo a fazer negócios com os Estados Unidos da América como seu principal parceiro”, escreveu Trump em rede social.

Maduro, 63 anos, declarou-se inocente das acusações de tráfico de drogas em audiência nesta semana em tribunal federal em Nova York. A vice-presidente venezuelana Delcy Rodríguez, atualmente presidente interina, criticou a prisão e também iniciou tratativas com os EUA sob ameaça de novas ações militares.

Rodríguez, que permanece sob sanções americanas, teria seus ativos financeiros no exterior considerados como moeda de negociação. Fontes ligadas ao governo dos EUA confirmaram a estratégia.

Parlamentares americanos, incluindo o secretário de Estado Marco Rubio e o secretário de Defesa Pete Hegseth, informaram o Congresso sobre as ações contra a Venezuela. O senador Chris Murphy, do Partido Democrata, afirmou: “Eles estão propondo roubar o petróleo da Venezuela, sob a mira de armas, e usar essa moeda de troca, para sempre, para governar o país.”

Na mesma entrevista à Fox News, JD Vance reforçou o plano: “Nós controlamos os recursos energéticos e dizemos ao regime: vocês têm permissão para vender. O petróleo, desde que sirva ao interesse nacional dos Estados Unidos, não pode ser vendido se não servir ao interesse nacional dos Estados Unidos.”

Os planos de Trump para o petróleo venezuelano

Trump anunciou também, na terça-feira, 6 de janeiro, que os EUA vão refinar e comercializar até 50 milhões de barris de petróleo venezuelano, como parte do plano de reativação do setor. Para viabilizar a operação, segundo a Casa Branca, sanções estão sendo "revertidas seletivamente".

“Vamos comprar entre 30 e 50 milhões de barris de petróleo”, afirmou Marco Rubio. “Vamos vendê-lo no mercado, a preços de mercado, não com os descontos que a Venezuela estava recebendo.”

A PDVSA confirmou negociações com o governo norte-americano e declarou que os termos seguem “transações estritamente comerciais sob termos legais, transparentes e benéficos para ambas as partes”.

Os preços do petróleo recuaram nos mercados internacionais diante da expectativa de aumento na oferta. Rússia, China e aliados políticos da Venezuela condenaram a operação militar dos Estados Unidos, que resultou em dezenas de mortes no país latino-americano.

Aliados de Washington demonstraram preocupação com o precedente aberto pela prisão de um chefe de Estado estrangeiro. Trump, por sua vez, sugeriu novas ações contra países como México e Groenlândia para proteger os interesses estratégicos dos EUA.

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