Estados Unidos querem resgatar armas na Turquia

Base militar operada por americanos e turcos há cerca de 60 anos guarda 50 bombas atômicas

O fogo nuclear pode começar em muitos lugares do mundo, disparado desde 3 mil diferentes pontos, segundo o Instituto Internacional de Pesquisas da Paz (Sipri), de Estocolmo. Há um certo número de gigantes atômicos chamados de Satã e Minuteman, feitos para cruzar a Terra em minutos, abrigados em silos nos EUA e na Rússia – e há outros pouco menores, navegando o tempo todo no fundo do mar, dentro de submarinos de 170 metros e 18 mil toneladas.

O risco, entretanto, às vezes, está bem perto do alerta vermelho, como agora em Incirlik, base militar de 133 km² na Turquia, operada pelos EUA e pelos turcos há cerca de 60 anos. Os americanos guardam lá 50 bombas atômicas do modelo de penetração B61-12 – pequenas, mas 10 vezes mais potentes que a lançada sobre Hiroshima.

É um complexo de 57 hangares, áreas de apoio, vila residencial e centros de apoio logístico nos arredores da cidade de Adana, bem perto do Mediterrâneo. O comando binacional abriga unidades especializadas de Reino Unido, Arábia Saudita e Espanha.

Há três semanas, o presidente Donald Trump ordenou a retirada das tropas americanas que combatiam os radicais do Estado Islâmico na Síria. A decisão criou um lance paralelo de tensão. Imediatamente após a saída, o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, atacou a minoria curda. O objetivo é desocupar uma faixa de 32 quilômetros na fronteira e estabelecer uma zona de segurança.

O líder curdo das Forças Democráticas da Síria, Mazloum Kobani, pediu ajuda ao presidente russo, Vladimir Putin, e ao ditador sírio, Bashar Assad. Trump atravessou a formação desse eixo e conseguiu uma trégua. A proximidade desconfortável de Incirlik do conflito – pouco mais de 60 km da fronteira a – despertou atenção para o arsenal nuclear. Em Washington, o Departamento de Defesa confirmou a intenção de remover as bombas. Em Ancara, Erdogan afirmou que gostaria de mantê-las.

Fortaleza

A rigor, a guarda funciona em dois círculos. O perímetro externo fica por conta da Turquia. O contorno interno, conhecido como “O Circo” é responsabilidade dos americanos – que já foram 2 mil e hoje não passam de 600 homens. Essa equipe é treinada para o manejo de armas nucleares.

A base serve a grupos de defesa antiaérea equipados com mísseis Patriot-3, aviões de transporte e times de coleta de inteligência. Esquadrões de caça e de bombardeio são vistos de passagem. Um ex-membro do comando logístico disse à Comissão das Forças Armadas do Congresso que as instalações “são seguras, mas antigas”.

De fato, a última reforma conhecida foi feita em 1997. O estoque está acondicionado em vários cofres subterrâneos. Todos têm teto, paredes e piso de concreto reforçado por placas de metal. O acesso principal é feito por meio de um prédio climatizado, sem identificação, em uma das extremidades do terreno. Escadas interrompidas por portas de aço a intervalos regulares conduzem até salões de teto curvo e aos suportes das bombas, dispostas como garrafas em uma adega.

Da mesma forma que os vinhos, elas precisam ser giradas uma vez por ano. Os detonadores ficam em outro ponto. Os códigos iniciadores estão no Pentágono, do outro lado do mundo. Devem ser inseridos apenas no momento de definição de um ataque.

Na Guerra Fria, a presença na Turquia das B61-12 fazia sentido. Havia bombardeiros e caças pesados em Incirlik e a União Soviética estava a apenas uma hora de voo. Mas a solução virou problema. A remoção das bombas é difícil. Não é uma carga comum. Grandes jatos de transporte C-17 devem ser preparados para a missão. E, claro, não serão transferidas todas de uma só vez.

Na operação, que é cara, são consideradas situações críticas – um acidente, por exemplo. Um pouso de emergência. Ou pior, um atentado. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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