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Equador em guerra com o narcotráfico: país decreta estado de emergência

Mais de 9.000 soldados e policiais assumem o controle de três províncias equatorianas afetadas pelo crime organizado, que já deixou mais de 1.200 mortos

Policial na provîncia de Guayas, no Equador: país decretou emergência por narcotráfico (Marcos Pin/AFP via Getty Images/Getty Images)
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AFP

Publicado em 30 de abril de 2022 às 16h58.

Uma força de 9.000 soldados e policiais assumiu o controle de três províncias do Equador afetadas pelo narcotráfico e pelo crime, que deixaram mais de 1.200 mortos desde o início do ano e levaram o governo a decretar estado de exceção na sexta-feira.

A medida de emergência de 60 dias, prevista para as províncias costeiras de Guayas, Manabí e Esmeraldas (esta última na fronteira com a Colômbia), inclui um toque de recolher noturno para as áreas de maior violência em cidades como o porto de Guayaquil, centro comercial do país.

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Em sua guerra declarada ao narcotráfico, o presidente conservador Guillermo Lasso, que está no poder há 11 meses, decretou mais uma vez o estado de exceção, alegando uma grave comoção interna devido à insegurança.

A criminalidade no Equador cresceu com o avanço do narcotráfico, com 1.255 mortos - incluindo pessoas decapitadas e mutiladas - no primeiro quadrimestre do ano, contra 2.500 em todo o ano de 2021 e 1.400 em 2020, segundo dados oficiais.

Quase 440 crimes ocorreram em Guayaqui, a capital de Guayas, e na cidade vizinha de Durán, as mais inseguras. E 60% de todos os homicídios ocorreram nas três províncias que agora são patrulhadas pelos militares.

Fuzil na mão

Armados com fuzis, centenas de homens uniformizados começaram imediatamente a realizar controles em pontos como o Cerro Las Cabras de Durán.

"Acho que a população se sente segura, porque a presença dos militares, da polícia nos dá um pouco mais de segurança", disse à AFP Diego Cuenca, morador de Durán, onde dois corpos suspensos foram encontrados em fevereiro, ao estilo dos crimes dos cartéis mexicanos.

Esta cidade com mais de 300.000 habitantes é considerada um 'armazém de drogas' e onde o microtráfico, segundo as autoridades, movimenta até 1,8 milhão de dólares por mês.

Com fronteira com a Colômbia e o Peru, os maiores produtores de cocaína do mundo, o Equador serve como ponto de saída para grandes carregamentos de drogas principalmente através de Guayaquil, o maior porto, por onde ela é exportada principalmente para os Estados Unidos e a Europa.

Em 2021, o país apreendeu um recorde anual de 210 toneladas de drogas, principalmente cocaína. Até agora, em 2022, as operações alcançam 75 toneladas.

“Nossa sociedade não será submetida, nossa paz nunca será sacrificada pelos negócios sujos de ninguém”, disse Lasso ao anunciar o estado de exceção.

"Vamos levar o combate aos criminosos para o mesmo território onde tentam se esconder, eles e suas mercadorias sujas".

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