Em meio à crise do coronavírus, a China tenta voltar ao trabalho

Enquanto os trabalhadores voltam de um feriado forçado, especialistas da OMS estão viajando a Pequim nesta semana para discutir ações sobre a epidemia

Milhões de trabalhadores chineses retornaram ao trabalho nesta segunda-feira (10), depois de mais de duas semanas do feriado do ano-novo chinês, que havia sido estendido por causa da crise do coronavírus. O retorno ao trabalho é um teste para as autoridades chinesas.

Há uma grande dúvida se as medidas de contenção do vírus serão suficientes para evitar a propagação da doença conforme as pessoas voltem a circular pelas cidades e entrem em contato com seus colegas de trabalho.

Também nesta semana, cerca de 400 especialistas da Organização Mundial da Saúde embarcaram para a China para discutir ações de combate à epidemia.

O objetivo é estabelecer protocolos de compartilhamento de informações e amostras, uma vez que o coronavírus vêm exigindo das autoridades mundiais um alto grau de cooperação entre países — similar ao que aconteceu na epidemia de Ebola, em 2014. Diversas vacinas contra o coronavírus estão em desenvolvimento, mas a perspectiva é que sejam finalizadas somente dentro de alguns meses.

No boletim divulgado na madrugada desta segunda-feira pelo governo chinês, o número de mortes causadas pelo vírus chegou a 908 pessoas, superando a quantidade de vítimas da Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS, na sigla em inglês), que matou 774 pessoas entre 2002 e 2003. O domingo 9 marcou o maior número de mortes em um mesmo dia, com 97 vítimas. Até agora, são 40.171 casos confirmados. O vírus está em pelo menos 27 países, segundo cálculos da agência Reuters.

Embora a maioria das fábricas chinesas tenham começado a retomar as atividades nesta segunda, o retorno ao trabalho continua limitado. O governo chinês ordenou que as empresas evitassem que todos os funcionários voltassem ao trabalho de uma vez. Funcionários que podem trabalhar de casa ainda estão sendo incentivados a não se deslocar aos seus escritórios. As companhias também adotaram medidas de segurança sanitária, como medir a temperatura dos trabalhadores e oferecer máscaras a eles. As empresas em algumas cidades também são obrigadas a saber o histórico de deslocamento dos empregados.

O comércio também não começou a retomar as atividades. A maioria das grandes redes varejistas ainda mantém as suas lojas fechadas nas grandes cidades do país. As escolas e universidades continuam fechadas. Os estudantes devem voltar às aulas somente em março.

Em Shenzhen, um importante polo industrial de tecnologia, a fábrica da Foxconn, que produz os aparelhos da Apple, também continuava fechada nesta segunda-feira, já que uma parte significativa dos trabalhadores viajou às suas províncias de origem durante o feriado e ainda não conseguiu voltar ao trabalho, por causa das restrições ao transporte no país. O retorno à normalidade, como se vê, ainda levará tempo.

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