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Eleições na França têm vitórias da esquerda e menos espaço aos extremos

Candidatos de esquerda venceram em Paris e Marselha, as duas maiores cidades do país

Emmanuel Gregoire, eleito para ser o próximo prefeito de Paris (Geoffroy Van Der Hasselt/AFP)

Emmanuel Gregoire, eleito para ser o próximo prefeito de Paris (Geoffroy Van Der Hasselt/AFP)

Publicado em 23 de março de 2026 às 14h53.

Última atualização em 23 de março de 2026 às 14h57.

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Os resultados das eleições municipais francesas pintaram um quadro sobre o clima político do país nesse domingo, 22, fornecendo um vislumbre antecipado do que pode se passar nas eleições presidenciais previstas para abril do ano que vem.

A capital, Paris, viu a vitória do socialista Emmanuel Grégoire, que ampliará os 25 anos da esquerda no poder da capital. Outros lugares também viram vitórias da esquerda.

Em Marselha, a cidade mais antiga da França e a segunda mais populosa, o incumbente socialista Benoît Payan foi reeleito para um segundo turno, e, em Lyon, o cargo de prefeito vai para Grégory Doucet, do Partido Verde, após uma disputa acirrada contra seu rival conservador, Jean-Michel Aulas.

Muitas outras cidades elegeram candidatos de esquerda, e mesmo em municipalidades onde não ganharam cargos, os resultados de partidos socialistas foram fortes, reforçando um sentimento de recuperação da esquerda tradicional na França.

Por outro lado, resultados para a direita conservadora foram mais matizados – o partido conservador Reagrupação Nacional (RN) viu suas vitórias majoritariamente limitadas a cidades menores e algumas guinadas para a direita em cidades grandes como Nice, que viu a vitória do aliado do RN, Eric Ciotti, e na cidade medieval de Carcassonne, onde o candidato Cristophe Barthès trouxe a vitória mais definitiva para o partido.

Longe dos extremos

Nesta votação, houve ainda um movimento de isolamento dos partidos considerados mais extremistas, como o RN e o LFI (A França Insubmissa). 

Em Paris, Marselha e Lille, candidatos se mantiveram longe da LFI devido a acusações de antissemitismo. Mesmo a vitória esquerdista em Lyon, onde o ganhador pelo partido verde, Grégory Doucet se alinhou abertamente com a LFI, foi vista como uma exceção, com os resultados sendo atribuídos a uma má campanha por seu oponente, o direitista Jean-Michel Aulas. Em todos os casos em que houve alianças entre a esquerda tradicional e o LFI, candidatos não conseguiram se eleger.

Ao mesmo tempo, o partido conservador RN, associado à extrema-direita, também falhou em muitas cidades.

Em Marselha, um candidato de direita alinhado a outro partido tradicional dividiu os votos da base eleitoral do RN na cidade. A maior vitória para o RN, em Nice, foi simbólica, já que o ganhador, Eric Ciotti, por mais que seja um aliado da RN, representa outro partido.

As vitórias do RN foram limitadas a cidades menores e mais provinciais da França, conforme o partido vê pouca aderência política nas principais metrópoles francesas. 

No fim, os resultados da noite eleitoral demonstraram a resiliência dos partidos tradicionais tanto de esquerda quanto de direita, que, por si sós, foram capazes de vitórias significativas, independentemente de partidos mais restritamente conservadores ou progressistas.

A centro-direita aliada ao atual presidente, Emmanuel Macron, por exemplo, teve uma vitória importante em Bordeaux, e na cidade de Le Javre, da Normandia, a vitória foi para o ex-premiê de Macron, Edouard Philippe, um dos favoritos do centro para as eleições presidenciais em 2027.

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