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Eleição no Japão dá ampla maioria à premiê Takaichi, indica boca de urna

Pesquisas indicam maioria confortável na Câmara dos Representantes após aposta em votação surpresa

Sanae Takaichi: premiê transforma aposta em triunfo político (Kazuhiro Nogi/AFP)

Sanae Takaichi: premiê transforma aposta em triunfo político (Kazuhiro Nogi/AFP)

Publicado em 8 de fevereiro de 2026 às 08h58.

A primeira-ministra conservadora do Japão, Sanae Takaichi, conquistou uma vitória esmagadora na eleição antecipada convocada por ela própria, segundo pesquisas de boca de urna divulgadas após a votação deste domingo. O resultado, ainda que preliminar, fortalece sua posição no poder e consolida sua liderança poucos meses após assumir o cargo.

De acordo com a emissora pública japonesa NHK, o Partido Liberal Democrata (PLD), liderado por Takaichi, deve conquistar entre 274 e 326 das 465 cadeiras da Câmara dos Representantes — bem acima das 233 necessárias para a maioria. Somado ao parceiro de coalizão Ishin, o bloco governista pode alcançar entre 302 e 366 assentos. A votação ocorreu em meio a temperaturas congelantes, em uma rara eleição realizada no inverno.

A ascensão de Takaichi

Takaichi assumiu o cargo em outubro, após ser eleita líder do PLD, e surpreendeu aliados, oposição e eleitores ao convocar eleições antecipadas. A estratégia, impulsionada por sua forte presença pública e por um apoio expressivo de jovens eleitores — fenômeno apelidado de “Sanamania” — parece ter funcionado.

Ela buscava respaldo direto da população para ampliar as capacidades de defesa do país e aumentar a influência japonesa no cenário internacional. A agenda reflete o senso de urgência em Tóquio diante de ameaças de segurança atribuídas à China e à Coreia do Norte, ao mesmo tempo em que os Estados Unidos, principal aliado do Japão, têm concentrado sua atenção em outras regiões.

No cenário internacional, Takaichi mantém uma relação próxima com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que a elogiou publicamente e declarou apoio à sua liderança — um gesto incomum entre chefes de Estado em eleições estrangeiras. Trump afirmou que pretende recebê-la na Casa Branca em 19 de março.

Relações estremecidas com a China

As relações com a China, por outro lado, enfrentam tensões. Em novembro, Takaichi afirmou no Parlamento que um eventual ataque chinês a Taiwan poderia provocar uma resposta militar japonesa — declaração considerada inédita entre líderes em exercício. O comentário foi celebrado por nacionalistas, mas criticado por opositores como imprudente.

Pequim reagiu com sanções comerciais, incluindo a retomada de restrições à importação de frutos do mar japoneses e limitações à exportação de minerais raros, além de alertas a turistas chineses sobre viagens ao Japão.

Antes da votação, Takaichi havia prometido renunciar caso a coalizão governista perdesse a maioria. O resultado projetado, porém, indica que o PLD pode garantir ampla vantagem por conta própria.

Trabalhar e trabalhar

A popularidade da premiê contrasta com a desconfiança de parte do eleitorado em relação ao PLD, envolvido em escândalos recentes e derrotas parlamentares nos últimos dois anos. Para muitos eleitores, Takaichi representa uma renovação em uma política historicamente dominada por homens. Entusiasta de motocicletas e baterista de heavy metal, ela construiu uma imagem pública marcante, embora mantenha posições tradicionalistas e tenha nomeado apenas duas mulheres para o gabinete.

O entusiasmo em torno de sua figura tem sido alimentado mais por seu estilo do que por propostas específicas. Seu lema — “trabalhar, trabalhar, trabalhar, trabalhar e trabalhar” — foi eleito frase do ano no país. Objetos associados a ela viralizaram nas redes sociais, como a caneta rosa que usa no Parlamento e uma bolsa de couro preta avaliada em US$ 900, esgotada com meses de antecedência.

Takaichi também se destaca nas redes sociais, com mais de 2,6 milhões de seguidores na plataforma X — quase cinco vezes mais que seu antecessor, Shigeru Ishiba. Pesquisas indicam que mais de 80% dos jovens eleitores demonstram apoio à premiê, um fator decisivo para o resultado da eleição.

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