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Drones na Alemanha elevam temor de nova estratégia da Rússia

Novos avistamentos ocorrem dias após drone com explosivos ser encontrado perto de aviões ucranianos em Leipzig

Publicado em 10 de agosto de 2026 às 12h02.

Autoridades alemãs avistaram ao menos dois drones neste domingo, 9, perto do aeroporto de Leipzig, dias após uma aeronave não tripulada carregada de explosivos ser encontrada no mesmo local, próxima a aviões de transporte ucranianos.

Os episódios aumentaram a preocupação de que a Rússia esteja ampliando o uso de ações híbridas para testar a capacidade de resposta dos países europeus.

O governo alemão ainda não atribuiu oficialmente os incidentes a Moscou. A suspeita ocorre em meio ao aumento de operações de espionagem, sabotagem e ataques cibernéticos atribuídas à Rússia em países da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).

“Não estamos em guerra, mas somos alvo diário de uma guerra híbrida”, afirmou o ministro do Interior alemão, Alexander Dobrindt, ao jornal Bild.

Drone com explosivos é encontrado em Leipzig

Na quinta-feira, 6, um drone equipado com explosivos foi localizado próximo a duas aeronaves Antonov An-124 que transportavam equipamentos militares ucranianos no aeroporto de Leipzig. O artefato não explodiu porque o detonador apresentou uma falha.

No mesmo dia, outro drone atingiu um avião de carga da DHL, que precisou realizar um pouso de emergência em Hannover. Para Dobrindt, os episódios representam um “novo tipo de perigo” para a Alemanha.

O deputado alemão Roderich Kiesewetter afirmou ao Guardian considerar o episódio de Leipzig um possível ataque híbrido direcionado contra a Alemanha e sugeriu que a ação poderia ter sido organizada pela Rússia. Moscou rejeita as acusações.

Os episódios fazem parte de uma sequência de avistamentos registrados na Europa. No ano passado, drones foram vistos perto de aeroportos, bases militares e instalações estratégicas em países como Polônia, Noruega, Bulgária e Dinamarca. Em alguns casos, aeroportos suspenderam operações.

O problema é que a estrutura europeia de defesa ainda apresenta limitações para detectar e neutralizar drones de pequeno porte. Jukka Savolainen, do Centro de Excelência Europeu para o Combate a Ameaças Híbridas, afirmou à DW que nem todos os aeroportos possuem sistemas capazes de identificar esse tipo de ameaça.

A guerra na Ucrânia transformou os drones em ferramentas de baixo custo para ataques pontuais, espionagem e interrupção de operações. Para a Europa, o desafio é criar uma resposta capaz de proteger instalações estratégicas sem provocar uma escalada militar.

Rússia pode testar limites da Otan

Os incidentes na Alemanha ganharam peso após uma avaliação da inteligência dos Estados Unidos, divulgada pelo Wall Street Journal, apontar que Moscou poderia considerar um ataque limitado contra um país da Otan nos próximos anos.

A avaliação considera que a Rússia poderia explorar divergências dentro da aliança, estoques reduzidos de armamentos defensivos e dúvidas sobre o grau de comprometimento dos Estados Unidos com a segurança europeia.

Uma ofensiva convencional contra um integrante da Otan poderia levar à aplicação do Artigo 5º do Tratado do Atlântico Norte, que estabelece o princípio de defesa coletiva. Ações híbridas, porém, são mais difíceis de atribuir e podem não ser consideradas um ataque armado tradicional.

“O desafio da Otan sempre foi responder a um ataque que não acionasse o Artigo 5º”, afirmou Heather Conley, pesquisadora do American Enterprise Institute, ao Wall Street Journal.

Defesa europeia precisa acompanhar drones

A guerra na Ucrânia acelerou o desenvolvimento de drones e sistemas para combatê-los. Russos e ucranianos incorporam novas tecnologias em ciclos cada vez mais curtos, enquanto os países europeus ainda adaptam suas estruturas de defesa.

Um artigo do Centro de Análise de Políticas Europeias publicado em junho apontou que os europeus não estão acompanhando o ritmo de desenvolvimento de drones e sistemas antidrones usados no conflito.

O desafio também tem impacto econômico. Aeroportos, portos, bases militares, redes de energia e outras infraestruturas críticas precisam investir em sistemas capazes de detectar e neutralizar aeronaves pequenas e relativamente baratas.

*Com O Globo

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