Disputa interna ameaça ambições do Movimento 5-Estrelas na Itália

Pioneiro entre os novos partidos políticos da Europa e favorito a tomar o poder na Itália, o 5-Estrelas encontra dificuldades para escolher uma liderança

Roma - O partido italiano anti-establishment Movimento 5-Estrelas, que pode estar a apenas alguns meses de conquistar o poder, está às voltas com um problema que achava que jamais teria que enfrentar: escolher um líder.

E a tarefa está se mostrando difícil.

Pioneiro entre os novos partidos políticos da Europa, o 5-Estrelas não tem uma hierarquia formal, preferindo uma estrutura horizontal na qual seus apoiadores participam diretamente na tomada de decisões por meio de votações online.

O movimento fundado sete anos atrás, cujo apelo se baseia no combate à corrupção e à camaradagem, está envolvido em uma disputa acirrada com o Partido Democrático (PD) do ex-primeiro-ministro italiano, Matteo Renzi, nas pesquisas de opinião.

O partido foi o grande vencedor do referendo de 4 de dezembro no qual a população rejeitou as reformas constitucionais de Renzi, obrigando-o a renunciar e levando a maioria das legendas a pedir eleições no primeiro semestre de 2017, um ano antes do programado.

Mas formar um governo significaria nomear um premiê, e as rivalidades entre os concorrentes prováveis estão crescendo, o que pode prejudicar as ambições eleitorais do movimento ou desestabilizar um futuro gabinete do 5-Estrelas.

Fontes partidárias dizem já haver uma batalha para angariar apoio entre o carismático Luigi Di Maio, que tem 30 anos de idade e era o favorito até recentemente, e Roberto Fico, de 42 anos, ex-especialista em comunicações que cutucou o rival exortando o partido a resistir ao culto da celebridade política.

Recentemente ainda surgiu um terceiro postulante que pode vir a eclipsar ambos: Alessandro Di Battista, deputado de 38 anos, de Roma, que mostra muito mais paixão do que seus adversários ao denunciar a corrupção endêmica nos partidos tradicionais.

O 5-Estrelas aparece na dianteira em algumas pesquisas, apesar das brigas e escândalos que vêm atormentando a prefeita de Roma, Virginia Raggi, que é do partido. Mas uma disputa pela liderança é um desafio novo e arriscado à sua frágil unidade.

"Este é um movimento sem uma estrutura verdadeira, e à medida que as apostas aumentarem, as ambições pessoais e a batalha interna também aumentarão", disse Francesco Galietti, da consultoria de risco político Policy Sonar.

Antes da eleição, os 135 mil membros do 5-Estrelas irão escolher seu candidato a premiê em uma votação pela internet. A data da escolha, os regulamentos e os candidatos ainda não foram decididos --até agora só Di Maio confirmou que irá concorrer.

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