Eleições 2026: tema que dominou as discussões na maioria dos debates foi a segurança pública
Colaboradora
Publicado em 10 de agosto de 2026 às 14h32.
Última atualização em 10 de agosto de 2026 às 16h40.
A primeira rodada de debates entre candidatos a governador nas eleições de 2026, realizada pela emissora Bandeirantes no último domingo, 9, foi marcada pela ausência dos líderes das pesquisas em quatro estados: Rio de Janeiro, Paraná, Amazonas e Goiás.
O tema que dominou as discussões na maioria dos debates foi a segurança pública. Em diferentes regiões, os encontros também tiveram como temas centrais saúde, educação, infraestrutura, clima e gestão pública, além de ataques entre os principais candidatos.
Em estados com a disputa mais polarizada, como São Paulo e Bahia, os três blocos de duração foram bastante nacionalizados, com candidatos abordando políticas federais e apoio de candidatos à Presidência da República.
Em São Paulo, o primeiro debate teve clima de segundo turno antecipado entre o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e o ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT). Os dois nacionalizaram a disputa e tiveram a segurança pública como um dos principais pontos de confronto.
Desde o primeiro bloco, Tarcísio defendeu os resultados de sua gestão e criticou o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Haddad, por sua vez, questionou a administração paulista em áreas como educação, segurança e privatizações e destacou ações do governo federal no estado.
O primeiro debate no Rio de Janeiro teve a presença dos candidatos Douglas Ruas (PL), Anthony Garotinho (Republicanos), William Siri (PSOL) e André Marinho (Novo), e ausência de Eduardo Paes (PSD).
A discussão foi marcada por ataques ao ex-governador Cláudio Castro (PL), acusações de ligação com o crime organizado, discussões sobre segurança pública e críticas a Paes, que lidera as pesquisas.
Paes justificou a ausência citando uma orientação jurídica, mas sua ausência foi explorada pelos adversários.
No Ceará, o confronto ficou concentrado entre Ciro Gomes (PSDB) e o governador Elmano de Freitas (PT), que lideram as pesquisas no estado. Pedro Brito (Novo), que havia sido convidado, desistiu de participar na véspera.
Segurança pública e saúde estiveram entre os principais temas do encontro. Elmano afirmou que chefes de facções que atuavam no Ceará fugiram para o Rio de Janeiro, estado administrado pelo PL, partido aliado de Ciro, e criticou a atuação do ex-governador no combate ao crime organizado.
Ciro rebateu, acusou Elmano de ser "moleza" diante das facções e negou qualquer vínculo com organizações criminosas, afirmando que apresentaria documentos sobre as acusações.
O primeiro debate televisivo entre candidatos ao governo do Paraná reuniu Requião Filho (PDT) e Sandro Alex (PSD), mas não contou com Sergio Moro (PL), que havia confirmado presença.
O senador anunciou cerca de três horas antes do início que não participaria, alegando que haveria um "jogo combinado" entre os dois adversários para atacá-lo.
A ausência de Moro foi tema de questionamentos aos dois participantes durante entrevista coletiva após o debate. Tanto Requião Filho quanto Sandro Alex teceram críticas ao senador e ex-juiz.
No Rio Grande do Sul, o debate reuniu Gabriel Souza (MDB), Juliana Brizola (PDT), Luciano Zucco (PL) e Marcelo Maranata (PSDB) e teve como principal tema a tragédia climática que atingiu o estado em 2024.
O encontro teve tom moderado nos embates diretos. Juliana Brizola criticou os sistemas estaduais de alerta e defendeu protocolos de emergência para a retirada de famílias de áreas de risco. Marcelo Maranata cobrou maior agilidade do Estado e integração entre os municípios da Região Metropolitana para obras de contenção.
Saúde, situação fiscal, infraestrutura, segurança pública e educação também foram fortemente comentados pelos candidatos, que protagonizam uma disputa acirrada.
O primeiro debate no Piauí reuniu Joel Rodrigues (Progressistas), Gustavo Henrique (Avante), Rafael Fonteles (PT), Dra. Lúcia Santos (PSDB) e Gisvaldo Oliveira (PSOL). Segurança pública, saúde, educação, geração de empregos, desenvolvimento econômico e gestão pública estiveram entre os temas discutidos.
Nas considerações finais, os candidatos concentraram suas falas em prioridades de governo. Gustavo Henrique destacou ética e transparência, enquanto Joel Rodrigues falou sobre dificuldades enfrentadas pela população em saúde, educação, abastecimento e emprego.
Gisvaldo Oliveira criticou o modelo de gestão estadual e se posicionou contra privatizações; Lúcia Santos defendeu que os eleitores pesquisem o histórico dos candidatos; e Rafael Fonteles destacou resultados de sua gestão e a continuidade de políticas públicas.
No Amazonas, participaram Isael Munduruku (Rede), Omar Aziz (PSD), David Almeida (Avante) e Maria do Carmo (PL). O governador Roberto Cidade (União), que também estava apto a participar, não compareceu. Nas redes sociais, ele afirmou que preferia dedicar o tempo às ações do governo e que não participaria da "baixaria da velha política".
O debate teve cinco blocos. Saúde, segurança pública, educação, agricultura, combate ao feminicídio e políticas para povos indígenas estiveram entre os temas discutidos. A ausência de Roberto Cidade também foi criticada pelos participantes, enquanto os principais confrontos ocorreram entre David Almeida e Maria do Carmo.
Na Bahia, o debate reuniu o governador Jerônimo Rodrigues (PT), ACM Neto (União Brasil) e Ronaldo Mansur (PSOL). O confronto principal ocorreu entre Jerônimo e ACM Neto, que lideram as pesquisas, enquanto Mansur tentou aproximar os dois adversários em temas como segurança pública.
O combate à violência contra as mulheres abriu o encontro. Na segurança, um dos momentos mais acalorados ocorreu quando Mansur defendeu o uso de câmeras corporais.
A disputa presidencial também entrou no debate. ACM Neto reafirmou apoio a Ronaldo Caiado (PSD), enquanto Jerônimo destacou sua proximidade com Lula. Os candidatos também trocaram críticas sobre promessas feitas na eleição estadual de 2022.
O primeiro debate no Rio Grande do Norte reuniu Allyson Bezerra (União Brasil), Álvaro Dias (PL), Cadu de Lula (PT) e Robério Paulino (PSOL). Cadu de Lula apresentou como bandeiras de sua candidatura o legado da governadora Fátima Bezerra (PT) e do presidente Lula.
Álvaro Dias foi o principal alvo dos ataques e precisou responder a questionamentos sobre sua ligação com Jair Bolsonaro (PL) e sobre questões ambientais relacionadas à atuação da Prefeitura de Natal. Allyson Bezerra também foi questionado por sua relação com o ex-governador Robinson Faria (PP).
Robério Paulino protagonizou embates com Álvaro Dias e foi um dos candidatos mais incisivos nas críticas aos adversários. O ex-prefeito de Natal também foi questionado sobre os indicadores de educação durante sua gestão na capital.
Na Paraíba, participaram do debate Cícero Lucena (MDB), Efraim Filho (PL) e Lucas Ribeiro (PP). O encontro foi marcado por acusações entre os candidatos e discussões sobre obras estruturantes, segurança pública, saneamento e mobilidade urbana.
Nas considerações finais, Efraim Filho destacou propostas ligadas à segurança, liberdade e família. Cícero Lucena ressaltou sua trajetória política e experiência em diferentes cargos públicos.
Lucas Ribeiro apresentou entre suas propostas a ampliação das câmeras de segurança, políticas para idosos, distritos industriais, passe livre universitário e a interiorização da Funad.
No Maranhão, cinco candidatos participaram do debate: André Luís (Missão), Felipe Camarão (PT), Orleans Brandão (MDB), Roberto Rocha (PRTB) e Saulo Arcangeli (PSTU). Eduardo Braide (PSD) e Reginaldo Lima (PCB), que também eram esperados, não compareceram.
Educação foi um dos principais pontos de confronto, especialmente entre Felipe Camarão e Orleans Brandão. Camarão questionou a atuação do governo estadual e citou indicadores da educação. Também citou uma investigação federal envolvendo suspeitas de irregularidades relacionadas à obra chamada de "Transbrandão".
A segurança pública também entrou no centro da discussão. André Luís apresentou a proposta "Prendeu, matou!", defendendo que criminosos que resistirem a abordagens policiais e não se entregarem sejam mortos durante o confronto.
Em Goiás, o debate reuniu Luis Cesar Bueno (PT), Marconi Perillo (PSDB) e Wilder Morais (PL), enquanto Daniel Vilela (MDB), líder nas pesquisas, não participou. Segundo a assessoria do candidato, ele tinha um compromisso previamente agendado.
Educação e segurança pública estiveram entre os temas sorteados para o confronto direto. Luis Cesar Bueno questionou Wilder Morais sobre suas propostas para a educação. Wilder afirmou que a chamada "ideologia de gênero" não faria parte de seu governo e defendeu uma formação voltada ao mercado de trabalho e à atração de empresas.
Na segurança, Wilder questionou Marconi Perillo sobre os resultados de suas quatro gestões como governador. O tucano afirmou que sempre esteve ao lado das forças de segurança e citou concursos para mais de 12 mil policiais durante seus governos.
No Distrito Federal, o debate reuniu Celina Leão (PP), José Roberto Arruda (PSD), Ricardo Cappelli (PSB), Leandro Grass (PT), Paula Belmonte (PSDB) e Kiko Caputo (Novo). O encontro teve como destaques a troca de acusações entre os candidatos e críticas à gestão da governadora Celina Leão.
A crise envolvendo o BRB e o Banco Master também esteve entre os principais assuntos do debate. Segundo o material utilizado como base, parte das estratégias das campanhas foi concentrada em ataques a Celina, que lidera as pesquisas e busca a reeleição.