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De motorista de ônibus a presidente da Venezuela: quem é Nicolás Maduro

EUA afirmam ter capturado líder venezuelano neste sábado, 3

Nicolás Maduro, presidente da Venezuela, durante discurso em Caracas, em 20 de agosto (Presidência da Venezuela/AFP)

Nicolás Maduro, presidente da Venezuela, durante discurso em Caracas, em 20 de agosto (Presidência da Venezuela/AFP)

Publicado em 3 de janeiro de 2026 às 08h09.

Última atualização em 3 de janeiro de 2026 às 08h19.

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, foi capturado por forças dos Estados Unidos neste sábado, 3, segundo informou o governo do presidente Donald Trump.

O próprio Trump anunciou a ação e afirmou que Maduro foi retirado do território venezuelano, sem revelar, no entanto, para onde foi levado.

Maduro estava no poder havia 12 anos e cumpria seu terceiro mandato, conquistado em eleições contestadas por observadores nacionais e internacionais.

Ao longo desse período, o presidente venezuelano passou a retratar os Estados Unidos como principal inimigo externo e alvo central de sua retórica política.

De origem humilde, Maduro foi motorista de ônibus e ganhou projeção local ao se envolver na militância sindical da categoria, ainda na década de 1990. Nesse período, ingressou no Movimiento Bolivariano Revolucionario 200 (MBR-200), onde conheceu Hugo Chávez.

A aproximação com Chávez se intensificou após Maduro participar ativamente dos protestos que exigiam a libertação do então militar e de outros integrantes do grupo, presos após a tentativa de golpe contra o presidente Carlos Andrés Pérez, em 1992.

Maduro foi um dos fundadores do Movimiento Quinta República (MVR), partido que lançou Hugo Chávez à Presidência em 1998. Pelo MVR, foi eleito para seu primeiro cargo público, como deputado da Câmara venezuelana.

Em 2012, quando Chávez foi eleito para seu quarto mandato consecutivo — após vitórias em 1998, 2002 e 2006 —, Maduro foi nomeado vice-presidente. Com a morte de Chávez, em 5 de março de 2013, em Cuba, onde tratava um câncer, Maduro assumiu a Presidência da Venezuela.

Governo de Nicolás Maduro

Durante o governo de Nicolás Maduro, grandes manifestações foram duramente reprimidas em 2014 e 2017, com atuação das Forças Armadas e da polícia. A repressão de 2017 levou a Corte Internacional de Justiça a abrir uma investigação por crimes contra a humanidade, após confrontos que deixaram centenas de mortos.

O presidente também enfrentou uma série de sanções internacionais após sua reeleição em 2018, boicotada pela oposição e não reconhecida por cerca de 50 países.

Sob seu comando, a Venezuela atravessou uma crise econômica sem precedentes. Em uma década, o PIB do país caiu cerca de 80%, enquanto a economia enfrentou quatro anos consecutivos de hiperinflação, em uma nação de quase 30 milhões de habitantes.

Apesar de escândalos de corrupção, denúncias internacionais e episódios de tensão política, Maduro permaneceu no poder.

Ele chegou a ser retratado como “indestrutível” em uma animação exibida na TV estatal, “Super Bigote”, na qual aparece como um super-herói que combate monstros, vilões dos Estados Unidos e a oposição venezuelana.

Na campanha mais recente, passou a se autodenominar “gallo pinto”, uma raça de briga, em uma tentativa de projetar força diante do físico franzino de Edmundo González Urrutia, seu adversário político.

Maduro afirmou reiteradas vezes que conta com o apoio das Forças Armadas e chegou a mencionar a possibilidade de um levante militar caso a oposição vencesse as eleições.

Marxista, cristão e bolivariano

Conhecido por um discurso anti-imperialista, Maduro também demonstrou capacidade de negociação com Washington.

Em 2022, obteve um afrouxamento parcial das sanções americanas, medida posteriormente revertida após a confirmação, em janeiro deste ano, da inabilitação da líder oposicionista María Corina Machado para disputar eleições.

Durante seu governo, os Estados Unidos libertaram dois sobrinhos de sua esposa, condenados por tráfico de drogas, além do empresário Alex Saab, acusado de ser operador financeiro do regime e processado na Flórida por lavagem de dinheiro.

Distante do ateísmo tradicionalmente associado ao marxismo, Maduro buscou aproximação com setores religiosos, especialmente a Igreja Evangélica.

“Não são páreos para mim nem para vocês porque Cristo está conosco”, declarou o presidente, que se define como “marxista”, “cristão” e “bolivariano”.

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