Trump em Davos: 'Eu respeito a Dinamarca'. (Fabrice COFFRINI/AFP)
Repórter de agro e macroeconomia
Publicado em 21 de janeiro de 2026 às 11h18.
Última atualização em 21 de janeiro de 2026 às 11h22.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou em Davos, nesta quarta-feira, 21, que não deseja usar a força para tomar a Groenlândia da Dinamarca. O republicano fez a declaração durante seu discurso no Fórum Econômico Mundial (WEF).
Trump defendeu que a incorporação da ilha — que, segundo ele, estava “disponível desde que foi descoberta” — é um imperativo estratégico para Washington.
“Eu não quero usar a força. Estou apenas pedindo a Groenlândia”, declarou.
Segundo o presidente, “só os Estados Unidos podem proteger este... pedaço gigante de gelo, desenvolvê-lo e melhorá-lo”.
Em seguida, Trump criticou a Dinamarca, acusando o país de ser “ingrato” pelos esforços americanos em defender a Groenlândia durante a Segunda Guerra Mundial.
“Depois da guerra, devolvemos a Groenlândia à Dinamarca. Que estupidez a nossa, mas fizemos isso, devolvemos o território. E agora, como são ingratos!”, afirmou.
Trump disse ainda que busca “negociações imediatas” para a compra da Groenlândia pelos EUA, “assim como adquirimos muitos outros territórios ao longo de nossa história”.
O presidente americano acrescentou que a ilha está firmemente localizada na América do Norte e que uma eventual aquisição pelos Estados Unidos não deve ser vista como uma ameaça à OTAN. “Isso aumentaria consideravelmente a segurança de toda a aliança”, disse.
O discurso ocorre em meio à escalada de tensões entre os Estados Unidos e a Europa em torno da Groenlândia. O gabinete de Trump classificou a Dinamarca como “irrelevante”, enquanto líderes europeus alertam que será necessário abandonar a cautela diante da postura agressiva da Casa Branca.
Antes de deixar os EUA, Trump afirmou que "não há volta atrás" em seu plano de tomar a Groenlândia da Dinamarca. Questionado sobre até onde estaria disposto a ir em sua busca pela ilha ártica, respondeu: “Vocês vão descobrir”.
Já o presidente francês, Emmanuel Macron, que teve mensagens vazadas por Trump na terça-feira, 20, classificou a ofensiva do republicano como uma forma de "colonialismo". Em resposta, o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, criticou o que chamou de "declarações inflamatórias" por parte do líder francês.