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Igreja Católica critica governo de Javier Milei por crise social na Argentina

Declaração ocorreu durante cerimônia em homenagem à Revolução de Maio de 1810

Javier Milei: presidente da Argentina enfrenta desafios diante da crise econômia do país (Patrick T. Fallon/AFP)

Javier Milei: presidente da Argentina enfrenta desafios diante da crise econômia do país (Patrick T. Fallon/AFP)

Mateus Omena
Mateus Omena

Repórter

Publicado em 25 de maio de 2026 às 14h59.

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O arcebispo de Buenos Aires, Jorge Cuerva, declarou nesta segunda-feira, 25, que a Argentina enfrenta risco de “desmembramento social” e pediu diálogo entre os setores políticos do país. O pronunciamento ocorreu diante do presidente Javier Milei e integrantes do governo durante a cerimônia religiosa em homenagem à Revolução de Maio de 1810.

Durante o evento, Cuerva criticou a falta de articulação política em meio ao cenário econômico e social argentino. Segundo ele, parte da população enfrenta dificuldades ligadas ao desemprego, à educação e à ausência de oportunidades.

"O povo argentino, apesar das crises crônicas, segue em frente e carrega a pátria nos ombros. Falta-nos uma classe política dirigente que com a força deste povo tenha coragem de dialogar, de se unir e que façam isso pelos que não aguentam mais, os que sofrem com falta de trabalho, educação e oportunidades", disse o arcebispo. "Não podemos nos permitir ser ingênuos. A sombra de uma nuvem de desmembramento social se aproxima no horizonte enquanto diversos interesses jogam sua partida alheios às necessidades de todos".

Tensões e reforma econômica na Argentina

O pronunciamento da Igreja Católica ocorreu em um contexto de aumento das tensões sociais após medidas de ajuste econômico implementadas pelo governo Milei. O cenário inclui perda do poder de compra, retração econômica e precarização do mercado de trabalho, apesar da desaceleração da inflação no país.

Segundo dados da Universidad Di Tella apontaram queda no índice de confiança no governo argentino pelo quarto mês seguido em maio. O levantamento ocorre em meio ao aumento das preocupações com salários e desemprego.

A política de redução de gastos públicos conduzida por Milei, conhecida pelo presidente como “motosserra”, resultou no encerramento do déficit fiscal histórico da Argentina. As medidas também provocaram cortes em áreas como saúde, educação e aposentadorias, além de demissões em diferentes setores.

"Temos a enorme responsabilidade de ajudar a curar tantas paralisias pessoais, familiares e também sociais", afirmou Cuerva. "Chega de arengar a divisão e a polarização. Comecemos a desarmar a linguagem, renunciado às palavras que ferem, ao julgamento imediato e às calúnias".

O governo argentino também enfrenta uma crise interna relacionada ao chefe de gabinete de Milei, Manuel Adorni. O integrante da gestão é alvo de acusações sobre gastos considerados incompatíveis com o patrimônio declarado e aquisição de imóveis sem comprovação financeira. O caso está sob investigação judicial.

*Com informações da Agência AFP. 

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